PEDIDO SURPREENDENTE

Há alguns mêses passados, surpreendí-me com um pedido do meu filho Wendryk, de apenas três anos de idade. Bricando costumeiramente como faço com os meus três filhos, resolví testá-los sôbre o que gostariam de ganhar de presente, quando fosse possível presenteá-los. Na verdade estávamos fazendo um faz-de-conta. O pedido do Weksley, o meu primogênito, com onze anos, era previsível e, não causou-me surprêsa, ele gostaria de ganhar, quando fosse possível, um vídeo-game de última geração. A Welkhya, que fará 08 anos, querendo o Deus Criador, no dia 15 de novembro próximo, também me fez um pedido que não causou-me surprêsa, tanto é que nem me lembro o que ela pediu, talvez pelo fato de eu já haver presenteado a ela antes do momento da brincadeira, com o presente que ela tanta queria, que era uma boneca com estôjo de maquiagem, para ela, a brincadeira tinha um significado menos importante, que para os outros dois filhotes. A estupefação porém tomou conta de mim, quando perguntei ao menorzinho o que ele gostaria de ganhar e, ele sem hesitar, disse que gostaria de ganhar um computador. Estou pensando em fazer umas economias, objetivando atender as solicitações dos meninos no ano vindouro, já que o pedido da Welkhya já foi atendido. O pedido do Wendryk foi na verdade um grande tapa de luva de pelica no rosto de um pai mal remunerado, como é a maioria dos pais desse imenso Brasil. Graças ao Deus Criador, nunca faltou-nos o pão de cada dia e as coisas mais essenciais para a nossa sobrevivência, digo sobrevivência, porque só os empresários e políticos vivem com dignidade neste país, os outros, como eu, apenas sobrevivem, são escravos do sistema.

Refletindo sôbre o pedido do meu filho Wendryk, descobrí que sou um privilegiado, isto porque o meu filho me pediu um computador que eu não posso dar, mesmo porque nem eu mesmo possuo um ainda, mas estou em condições, graças ao Deus Criador, de colocar o pão de cada dia na mesa para o sustento da minha família. Creio que o pior de todos os pedidos aos ouvidos de um pai, é ouvir o filho pedir um pedaço de pão e, ele não estar em condições de oferecer, podendo oferecer somente as lágrimas de indignação que possui pela própria vida e, com toda certeza, muitos pais estão chorando nesse momento por esse imenso Brasil, por não estarem em condição de oferecer para os seus filhos, para a sua família, um simples pedaço de pão.

Antonio Alves
Enviado por Antonio Alves em 05/10/2007
Reeditado em 05/10/2007
Código do texto: T681456
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.