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Alma Quebrada

   

     Na cabeceira, sempre um livro de Lispector, Drummond na alma. Olhos verdes transbordando o fogo inexaurível da paixão. Urgência de carinho. Carências múltiplas. Qualquer esboço de promessa deixa uma ânsia cruciante, pois quando a carência é grande, qualquer minuto prometido torna-se direito adquirido. Alma pedindo, coração implorando, corpo exigindo. Amores consumidos até as cinzas, deixando sempre um gosto amargo. Fênix insana teimando em ser feliz, nem que fosse eternamente. Se possível mais um pouco. Coração vira latas, vadio, perambulando faminto, ansiando por afeto. Voltar pra casa é solidão absoluta melhor a solidão compartilhada com a multidão indiferente. O que incomoda não é o tempo perdido, mas o quanto ainda resta. As taças estão cheias, a vida exige o brinde, mas falta quem levante a outra. Tantas palavras, sentimentos intensos, emoções aprisionadas. Um desejo, um único desejo. Compartilhar. Simples e inalienável. Frustração. Não há como compartilhar. Não há com quem dividir. Tantas palavras. Todas paradas na garganta, e o silêncio brutal como resposta. Pensamentos suicidas, sonho de mortes tísicas, românticas, suplantados pelo desejo simples de ser resgatado no último instante e os cacos dessa alma sendo juntados antes que se perca a essência. Algum dia, talvez...
Luiz da Silva Rosa
Enviado por Luiz da Silva Rosa em 06/10/2007
Reeditado em 13/10/2007
Código do texto: T683477
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz da Silva Rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 61 anos
71 textos (6901 leituras)
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Luiz da Silva Rosa