PROFISSÕES ESSENCIAIS
POR JOEL MARINHO
Nesse momento de crise ouço falar muito nas profissões essenciais, médicos, bombeiros, enfermeiros, caminhoneiros, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Isso é fato, não podemos em hipóteses alguma negar, porém em meio a tudo isso eu fico cabisbaixo e extremamente triste, pois a minha profissão não é essencial e eu queria muito está ajudando nesse momento tão crítico.
Não, não sou patriota no sentido que é pregado por aí, aquele cara que segue um líder como ocorreu na época nazifascista, sou um humano que olha de forma humana a todos sem distinção, mas queria muito que minha profissão fosse essencial, porém ao que tudo indica, a forma como somos tratado não fazemos nenhuma diferença à sociedade e isso me dá às vezes uma tristeza imensa.
Ah, e esse tratamento não é apenas em momento de crise, com raríssimas exceções, somos tratados como preguiçosos, comunistas e outros termos no sentido de nos deixar sempre para baixo e com a autoestima totalmente abalada. Não, não somos essenciais à sociedade, afinal somos professores.
Como eu gostaria de ser médico para ser essencial nessa hora, mas não estou à altura deles, afinal todos eles se tornaram médicos sem nunca ter precisado do apoio de um professor.
Não, não é nenhuma implicação ou inveja, quero em breve me tornar psicólogo e ser essencial, porém mesmo que eu chegue a esse posto jamais vou esquecer-me de todas as aulas e dos meus professores que são tão essenciais quanto qualquer outra profissão, mas que nesse momento é tratado dessa forma.
Não sei qual seria o termo usado nesse momento, mas utilizar esse termo é de fato esquecer que todas as outras profissões que não estão participando diretamente no enfrentamento da crise, sendo elas todas essenciais.
Não seria mais fácil usar o termo: as profissões que participam diretamente nesse momento da crise? Assim não colocaria como inválida todas as outras profissões!
Mas enfim, isso é apenas a opinião nula de um professor em um mar de opiniões contrárias.