MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO?

Estava aqui pensando em tantos que estão esperando o auxílio do Estado, ajuda mais que necessária, e que já vem tarde, imaginando como devem ter se mantido, muitos, até o dia de hoje, especialmente aqueles desempregados, os romanticamente denominados “empreendedores” ou “trabalhadores informais”. Muitos vivem do apurado diário, como é o caso das pessoas que vendem nas portas de escolas e universidades ou nos pontos de ônibus, ao fim do dia passando na mercearia da esquina pra levar pra casa o pão, o café e o açúcar; e no dia seguinte a mistura; e no outro dia o óleo e a farinha... cada dia um pouco, repondo o que vai faltando, porque o ganho é incerto e não dá pra fazer a feira para o mês.

E os vendedores ambulantes, que têm nos coletivos seu local de trabalho? Há pelo menos vinte dias de isolamento social, alguns locais sem transporte público, outros com a frota reduzida, como fica o ganha-pão desses desempregados que vivem (viviam) da venda de produtos (dos mais diversos, da jujuba ao gel para dores musculares) nos ônibus da capital e região metropolitana? Parênteses aqui para dizer que sim, eu me aborrecia muito com eles, principalmente com o marketing apelativo “só de segurar você vai estar me ajudando” e, muitas vezes, o tom ameaçador “eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui para pedir...”, mas o momento agora me deixou mais sensível, admito.

Enfim, amanhã, quantos deles terão o suficiente para comprar o peixe para o tradicional almoço da Sexta-feira Santa? Mais do que nunca emerge a necessidade do milagre da multiplicação: multiplica, Senhor, a multidão é grande!

Maria Celça
Enviado por Maria Celça em 09/04/2020
Reeditado em 09/04/2020
Código do texto: T6911873
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