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OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

Quando alguém me disser que viu estrelas, ou caiu do paraíso vou acreditar, vou mesmo acreditar.
Pode alguém ter uma felicidade momentânea e entrever isso, porém ta ficando tão raro estes momentos porque não há mais surpresa em passar no vestibular, por exemplo, não se você tem dimdim suficiente para pagar escolas particulares e cursinhos, se ainda assim você for tão relapso (a) que não dê para passar numa oficial, vai para milhares de Faculdades particulares tão oferecidas e suspeitas como as mulheres de vida fácil nas calçadas das Copacabanas da vida.
Por outro lado para arranjar emprego (não trabalho), se você tem dimdim, ou sua família, fica mais fácil ainda: Publico e Federal com todas as vantagens estratégicas e salariais com ou sem concurso, o Governo federal cria todos os anos milhares de cargos comissionados que virarão permanente como o CPMF, sempre há um jeitinho para quem tem Dimdim neste País.
Talvez uma faculdade desta te torne Promotor Público ou Juiz para que possas dar um jeitinho de roubar e matar sem perder o emprego e sem ir preso, nem pagar nada a não ser um colega advogado caríssimo.
Agora e se não tiver Dimdim, aí o caminho é outro, aí é que não terás mesmo como ter estes momentos de vibrações sublimes e momentâneos, pois não?
É que tendo estudado (Estudado?) em Escolas públicas, não terás como chegar ao vestibular, muito menos sem dimdim, não terás nem como fazer cursinho, cursilhos ou seja lá o que diabo aprontarem para ganhar dimdim fácil, não poderás fazer concurso pois não terás conhecimento suficiente para tal, nem para coveiro, parteiro de urubu, nada. Você já sabedor disso, parte para vender vassouras, baldes de plástico, DVD e CD piratas, argolas para orelhas, pirata, cachaça pirata, é tanto pirata que você até duvida se a água que recentemente encanaram também não é.
Bem no íntimo você sabe também que por nascimento, você é pobre, mulato, negro ou branco, Nordestino, sulista ou nortista, és um pobre que tem como principal direito votar aos 16 anos, e não perturbar a ordem reinante dos com dimdim. Ou seja, sem direitos nenhum, mesmo que as Leis e a sociedade diga que tem um tal de direitos humanos, Constituição etc. e tal, na prática não é nada disso, seus momentos sublimes são de ver sua irmã ir para a escola de sandálias japonesas cambotas e emendadas, e voltar porque não tem aula, ver o pessoal de casa lutar por um pedaço de galinha ou de pão, ver seu pai cabisbaixo a lamentar não ter mais dinheiro para camisa, sapatos e comida, e ainda de ter de pagar a venda, a padaria, o açougue, a luz e a água, o aluguel do barraco. Não há espaço para sonho, o espaço ta tomado pela necessidade de viver rastejando e de não ter direitos a sonhos. Estes ficam lá em cima, onde homens iguais com oportunidades diferentes adquirem de nascimento ou por desonestidade o direito de ter esses momentos.
Não querem educar esta nação para que tudo continue igual, países que investiram mais da metade de seu orçamento em educação, hoje são grandes tigres e outros animais de porte dolarificamente superiores em outro mundo chamado de primeiro. Os Lullas e outros animais marinhamente e aquaticamente realizadamente terceiro mundistas, consideram a ignorância romântica e economicamente desimportante frente a outras despesas eleitoralmente mais significativas como as humilhantes “bolsas qualquer coisa”, verba para famílias desajustadas fazerem voltar filhos pródigos, temporariamente, enquanto despedaçam-na em álcool etílico, e outras despesas populistas da carceragem curralista de gados magros, mansos, a comer este tipo de ração.
Ficam estes momentos meus caros brasileiros de quinta categoria, irmão aqui de terceira ou quarta, não brasileiros em direitos e só em deveres e justiças, trabalho e curralice, para um próximo momento, não aqui nesta terra, purgatórica chamada Brasil, mas junto a Nosso Senhor Jesus Cristo. Não foi a toa que Ele disse : Os Últimos serão os primeiros.
Torquato
Enviado por Torquato em 12/10/2007
Código do texto: T691605
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Torquato
Maceió - Alagoas - Brasil, 66 anos
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