CARICATURAS CUBISTAS DE NESTOR TANGERINI

CARICATURAS CUBISTAS DE NESTOR TANGERINI

Nelson Marzullo Tangerini

Em 1981, quando fazia faculdade de jornalismo na FACHA [Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso], pela primeira vez expus as Caricaturas Cubistas de meu pai.

Tinha apoio de minha mãe e de Mário Lago, que me disse uma vez, na TV Manchete, que eu deveria salvar a memória e a obra de meu pai, para ele um grande artista.

Toda a obra de meu pai estava encaixotada e bem guardada pela minha mãe, que, volta e meia, me cobrava uma posição sobre o que Nestor Tangerini havia produzido.

A exposição foi montada na Biblioteca Miguel Alonso, da FACHA, e os cartazes, com as caricaturas, ficavam coladas com durex no vidro que separava a biblioteca em dois compartimentos: o local onde os livros ficavam armazenados e o salão de leitura.

Assim, muitos que frequentavam a biblioteca podiam ver as caricaturistas de Nestor Tangerini, muitas delas publicadas na revista de humor e sátira O Espeto ou na revista OQA.

Familiares compareceram, como a Profa. Catharina Santoro, uma grande incentivadora, prima não muito distante. Catharina e eu éramos parentes pelo sangue dos Mannarino. Catharina era neta de Nicoletta Mannarino, casada com Giuseppe Santoro, enquanto eu era bisneto de Concetta Mannarino, casada com Vicenzo Marzullo. Nicoletta era irmã de Concetta, a mais velha.

Sorrateiramente, sem avisar, como era de costume, Catharina por lá passou e, ali, na biblioteca, deixou sua amável cartinha:

“Exposição de Caricaturas Cubistas de Nestor Tangerini.

30/9/981

Gostei imensamente do traço do caricaturista Nestor Tangerini, quase um figurativo em que se reconhece com fidelidade o retrator.

Não sei qual ressaltar; talvez o menor, o que encerra com chave de ouro a exposição, aquele de Getúlio Vargas, brindo, barrigudinho.

Parabéns a quem teve a iniciativa feliz de reconhecer e dar valor ao trabalho de Nestor Tangerini, proporcionando aos que tiveram o ensejo de visitar a exposição de relembrar tipos da Revolução de 30, que tanto marcou a história de nosso País.

Profa. Catharina Santoro”.

Mais tarde, consegui aprovação do Arquivo da Cidade, para uma nova exposição.

Como Nestor Tangerini havia sido funcionário do antigo DCT, Departamento dos Correios e Telégrafos, hoje ECT, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, consegui expositores e pregadores [se este é o nome], onde eu poria as mesmas caricaturas cubistas.

A exposição foi amplamente comentada pela imprensa brasileira e, por conta dela, foi convidado para dar entrevistas na Rádio JB [programa do Saroldi] e Rádio MEC.

Sempre antenada, a Profa. Catharina Santoro, ouviu as minhas entrevistas. E me escreveu:

Querido primo Nelsinho,

Sempre solidária, ouvi as duas entrevistas pelo rádio.

Na do MEC, que foi mais longa, reparei que você não pesquisou com mais profundidade a vida de seu pai, respondendo constantemente: Eu acho... demonstrando falta de conhecimento seguro.

Esta é a minha crítica construtiva, porém de modo geral gostei da naturalidade de suas respostas.

E aqui deixo o meu aplauso e a minha admiração pelo carinho e respeito que você tem à memória de seu pai.

Com o mais afetuoso abraço,

Filhinha”.

Realmente, eu ainda não estava bem preparado para conviver com o trabalho deixado por meu pai. Como eu demonstrava interesse por sua obra, Dinah, minha mãe, passou a me dar informações mais seguras o artista.

Eu faria ainda exposições no Salão de Humor de Piracicaba, SP, onde Nestor Tangerini nasceu, e em Juiz de Fora, MG, onde houve sempre fomos bem recebidos.

Aqui deixo um depoimento em homenagem à minha prima Catharina Santoro, professora, pianista e poeta.

As caricaturas cubistas de Nestor Tangerini estão no Facebook

de Nelson Marzullo Tangerini.

Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 14/04/2020
Reeditado em 15/04/2020
Código do texto: T6917189
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