AS PERDAS PEQUENAS

Dois camponeses trabalham juntos, a terra, mas conservando concepções diferentes.

Um, ao realizar a colheita do vasto campo de trigo, voltava aos silos sobraçando um punhado enorme de espigas. Imediatamente, retornava para colher outro apanhado. E, assim, sucessivamente, ia trabalhando. Não se importava com as migalhas que caiam ao chão.Bendizia as espigas que lhe escapavam dos braços, impotentes para conduzi-las até o depósito. E sorria alegre quando ,atrás de seus passos ligeiros, os passarinhos vinham beliscar os grãos caidos. Olhava o horizonte e descobria, no céu, as belezas do azul, e conseguia achar lindo o cortejo de nuvens, às vezes, cinzentas e ameaçadoras. Dessa forma, encerrava o dia, feliz por ter colhido um monte, que ão sabia medir, de hastes douradas, para seu pão e comércio de que vivia também.

O Outro camponês caminhava lento. Toda as vez escorria do vão de seus braços uma simples espiga de trigo, ele parava a, agachava-se ajoelhava-se ao solo com seu corpo pesado, para colhê-la. Quando ia prosseguir a caminhada, não o fazia, sem antes olhar para trás, a fim de verificar se havia sobrado algum fruto de sua colheita, no chão. Se os passarinhos, solícitos, vinham para mitigar a fome na bicada de um grão que hovesse permanecido no solo, eis que ele voltava, enraivecido mais que zeloso, para espantar o pobre passarinho e lamentar e perda irreparavél daquelas migalhas que ele tivesse conseguido ingerir.

Conclusão: seu trabalho era improdutivo! Enquanto o primeiro não tinha capacidade para medir o tamanho grandioso de sua colheita, este último não conseguia reunir senão uma irrisória quantidade de trigo.

Muita gente procede assim nas coisas da vida.

Deixai as ilusões perdidas, os sonhos que escapam de vossas mãos e ficam à beira das estradas, tal como o camponês ligeiro e produtivo. Segui em frente. Não volteis atrás para arrolar as desilusões e os insucessos. É preferível abandonar as migalhas que ficam. Assim, será grande a vossa colheita. O céu terá sempre beleza ante vossos olhos. E saberei bendizer as perdas pequenas em prol dos ganhos maiores.

Jaubert
Enviado por Jaubert em 18/10/2007
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