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A trancos e balanços

“A trancos e balanços”
Por Calixto
O achismo está na moda. Ouço isso nas vitrines dos mais diversos tumultos. Eu acho que não entendo bem as pessoas que nem acha certo o que é certo. E que acha errado o que está errado. Mas se alguém acha certo ou errado e procura externá-lo, saúdo tal atitude. Bravo! Brilhante!
Achar é sempre muito bom. Quem não gostaria de achar um bilhete premiado da mega-sena vagando pela calçada suja? Sei que as probabilidades são remotas. Mas também não acho impossível. Contudo, nas discussões do dia-a-dia, sobre os vários fatos, há opiniões diversas: eu acho que deveria ser assim; não, eu acho que deveria ser conforme o seguinte... São tantas sugestões que apontam para os colossos umbigos que indigna minha audição.
É por de mais obvio: quem acha, acha algo que se encontra perdido. Ninguém deve achar nada, pois na igualdade das coisas, ninguém deve perder nada. Mas sempre perdemos o que nem sempre achamos. Perdemos nosso tempo, nossas conversas e nossas disposições de lutar em prol de algo comum. Mas há também uma maneira de achar sem perder, mesmo que não se tenha proveito do achamento proposto. Isso mesmo, achamento. Porque são tantos que não acho correto usar outro termo. Até Pedro Álvares Cabral achou. Só não pôde colocar em cima da caravela o objeto achado. No que tento elencar é diferente. Nesse mundo de conflitos cibernéticos alguém mostrará a cara por alguns segundos e apossara de tudo o mérito. Pura perversidade. Releve oximoro.
Diariamente é assim. As pessoas sempre acham como deveriam ser as atitudes dos outros. Isso pega. Torna-se algo impregnado no inconsciente coletivo. E quando Eu acho alguma coisa, como bom Cristão que sou, divido logo com outras pessoas, e, então, todos acham e partilham a mesma coisa ou idéia. São os “marias vão com as outras”. E numa fala digna apenas de bravas palmas e gritarias, eu penso em alto introspectivo silêncio: eu sou o cara! É um jogo. Um jogo que não é brincadeira. Mas precisamente um critério obscuro que o povo não o ver. A verdadeira filosofia do Estado Big Brother, de George Orwell, onde um Estado totalitário é possível com o domínio do idioma. A grande sacada aqui é falar o que o povo quer ouvir e ponto. Nesse caso, falar pelo povo a fala do povo. Uma fala reduzida a si mesmo. Jogada de mestre. Metáfora do poder.
O povo é assim. Se deixa levar por qualquer que se indigne e diz defendê-lo e marcha sublime sob a mesma direção. Ainda bem que não há exemplo na história que se tenha conseguido o alcance de objetivos sem fundamentos. Se o tivesse, credo, estaríamos perdidos. Sem eufemismo nenhum afirmo: isso é alienação.
Não obstante, é bom lembrar que qualquer movimento que se tenha participação de massa, um sujeito figurará as demandas e todos acham que ele é o dono da verdade. E numa procissão sem deuses nem velas, ainda caminham numa escuridão, ao som dos passos súbitos e persuasivos que representam o som infame da expressão pasticheada: “Eis me aqui, estejam prontos para me seguir”. Repito: É um jogo. Onde as cartas curingas estão nas mãos de quem lidera.
E assim todos acham óbvio. Isso mesmo.  A menos que alguém se manifeste inebriante de suspeita de tudo isso que passeia sobre a ilusão do povo. Ninguém deve achar, mas acreditar e defender seus ideais. E mesmo que o presidente ache, os senadores achem, o advogado ache, os vereadores achem, “o povo vai caminhando a trancos e balanços”.
CALIXTO
Enviado por CALIXTO em 18/10/2007
Reeditado em 18/10/2007
Código do texto: T699469

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