AVES NOTURNAS

Quando a manhã chegou, aquelas aves de rapina se afastaram de mim.

Elas que me acordaram com dolorosas bicadas e profanaram de todas as formas meu corpo e minha alma. Dilaceraram meu juízo e sopraram ao meu ouvido toda sorte de desgraças. Sufocaram-me e fizeram exalar dos meus pulmões todo o ar. As bicadas doíam no peito uma dor melancólica e nauseante. A garganta ardia e até nas minhas ideias elas botaram ovos. Nasceram dali crias nefastas, sanguinárias e cruéis. E tudo se acelerou, os pensamentos, as ideias os sentimentos e medos. Fui totalmente invadindo por essas bandidas. Achei que morreria com seus ataques...

Mas a manhã clara e bonita mais uma vez me salvou.

E elas voaram prometendo voltar numa noite qualquer.

Um dia as vencerei e tenho lutado para que isso ocorra.

Aves noturnas, terror das madrugadas, cruéis assassinas, voem para bem longe de mim.