FIDIQUEM?

Um dia me perguntaram no bom mineirês: - ocê é fidiquem?

Eu parei e pensei por alguns instantes.... Por uma fração de segundos mil coisas passaram pela minha cabeça. Pensei em responder:

-Eu sou filho de uma mulher, que um dia, diante do desaforo de um vizinho me disse com suas palavras simples e num tom terno: - Filho nunca procure briga com ninguém, viva em paz, às vezes é melhor ser ofendido e deixar para lá do que criar inimizade com as pessoas. Depois tudo se acalma e fica bem. Evite ter inimizade ou desavença com quem quer que seja.

-Sou filho de uma mulher que num domingo no dia das mães me deu a maior lição desse mundo. Lição de coaching, de motivação, de consciência da necessidade de evoluir e aprimorar sempre. Ela me perguntou: -Eu sou uma boa mãe? O que eu posso fazer para ser uma mãe melhor? O que eu tenho feito de errado? O que você tem a reclamar de mim? - Como responder a essa pergunta? A melhor mãe do mundo queria um fedeback, estava interessada em saber como aprimorar sua missão. Eu disse que era perfeita, que nada tinha a melhorar e vi a satisfação absoluta em suas olhos.

-Sou filho daquela que em outro dia das mães, já doente, com câncer, me acompanhou até um restaurante apenas para me agradar, porque não conseguia comer nada. Mas estar comigo naquele dia era muito importante para ela.

Filho de alguém que trazia o carinho nas mãos e a o amor estampado naqueles olhos verdes tão ternos... Que hoje tanta falta me fazem.

Alguém que representou cuidado, proteção, amparo, carinho, doação e tudo o que há de melhor na vida. Sou filho de uma mulher decidida, honesta, guerreira, carinhosa, com tantas qualidades que seria difícil demais descrever todas.

Pensei por mais alguns segundos. E outra vez respondi em pensamento:

-Sou filho de um homem que certa vez diante de uma atitude minha que foi reprovada por ele, me disse: -Vem aqui conversar com o papai. Me pegou no colo sentou-me no sofá, agachou-se à minha frente e durante alguns minutos me apresentou o porquê de sua reprovação. E o fez de forma terna, carinhosa, porém firme. Aquele homem não queria exercer autoridade, não queria usar dessa tolice de castigo físico para educar. Não, ele era sábio o suficiente para perceber que se agachando à minha frente e mostrando humildade eu o ouviria. Não importava a arrogância de dizer: eu que mando e pronto. Não importava se impor, não, o que importava era a verdade de suas palavras, e que a lição fosse aprendida.

- Sou filho de um homem que um dia chegou em casa chorando por que viu um garçom jogar água num morador de rua na porta de um restaurante. E percebei que isso o corroía por dentro

-E que ficou indignado porque viu um homem chutar uma cadela grávida em um bar. Vi no seu rosto um senso de humanidade que ainda hoje me toca quando lembro.

-Sou filho de um homem que sempre dizia. Tenha calma, reflita sobre as coisas tenha paciência, não se afobe. Você é capaz é inteligente, papai confia muito em você.

-Terno carinhoso, sábio amigo, honesto correto, firme. Um grande homem.

Pensei também no quanto agradeço todos os dias por ter nascido nessa família maravilhosa.

Porém não disse nada disso.

Sorri um sorriso de profunda felicidade e também no idioma do bom mineirês, disse apenas o bastante: -Sô fí da Ritinha e do Taíde.