Dialogo melhor com homens, sempre foi assim, eu me identifico com eles, talvez por isso não me sinta tão ameaçada pela narrativa masculina do que a maioria das mulheres. Aprendi que o movimento feminista, mais do que um desejo de igualdade, é um grito de dor.

Toda a mulher qual gado, já recebe na maternidade uma tatuagem simbólica - aliás, nem tão simbólica, furar as orelhinhas talvez seja o início - que vai definir seu futuro.

Só por ser mulher será humilhada, desconsiderada, explorada, e pior, carimbada para o resto dos seus dias.

Tudo o que ela disser será interpretado à luz do machismo, como por exemplo: falta de homem, aqui não é lugar de mulher, também, com essa roupa, queria o que?

Não sei o que ela queria, talvez apenas ficar bonita para ela.

E se fosse para o seu amor qual o problema?

E se fosse para seu ficante, qual o problema?

E se fosse para seu amante, qual o problema?

E de ela dá para mais de um ao mesmo tempo, qual o problema?

Em última análise na sociedade, toda a sociedade quer mandar naquele corpo feminino, todos os homens querem comer aquele corpo, como se um corpo fosse, desprovido de alma...

Atrás de toda a feminista radical tem uma mulher machucada e ferida no seu direito inalienável se ser apenas humana, e assim ser respeitada.


Rita Lee - "Cor de Rosa Choque/Todas as Mulheres do Mundo"
Jeanne Geyer
Enviado por Jeanne Geyer em 17/08/2020
Reeditado em 18/08/2020
Código do texto: T7037715
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