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VALE A PENA

Acho estranho esse modo de viver que algumas pessoas escolhem o de viverem sozinhas, não falo de solidão e sofrimento, mas o “estar só”, o tempo todo, sem ter ninguém para voltar ou ter alguém para amar, sem falar ainda naquelas pessoas que escolhem entregar seu amor e atenção aos cuidados de um animal de estimação, não sou contra ter um bichinho de estimação, muito pelo contrário, eu mesma tenho uma cachorrinha, um tico-tico e um aquário, mas um ser humano vivendo solitariamente é uma situação que por mais que eu tente compreender não consigo!
Vá lá que esta seja só a minha opinião e que ela possa interessar a um grupo bastante restrito ou á ninguém, mas faço a inevitável comparação do viver só com a minha própria vida barulhenta e sem tempo, às vezes chego a pedir a Deus apenas umas duas horas de silêncio para que eu possa me desligar”, “resetar” meu disco rígido ou pelo menos “desfragmenta-lo” para poder reiniciar de uma forma mais ordenada.
Então penso naquelas pessoas que passam a vida toda procurando um grande amor, a paixão derradeira! E deixam de se amar, buscando em outras pessoas todas as qualidades que estão dentro delas mesmas e lhes bastariam para estarem em paz consigo mesmas, e daí a encontrar uma pessoa especial é só uma conseqüência óbvia.
Não posso deixar de pensar naqueles adultos tão imaturos emocionalmente, que muitas vezes, sendo até bem sucedidos profissionalmente, continuam precisando de um ícone que lhes proporcione a segurança e estabilidade emocional de que se sentem tão incapazes de conquistar.
E digo isso por já ter presenciado essa experiência muitas vezes, e nem estou falando de pessoas tímidas ou cansativas, conheci pessoas assim, que padecendo dessa insegurança se tornaram “apaixonáveis compulsivos” e se não têm uma paixão a lhes impulsionar, caem em depressão... É triste, mas me faz lembrar de um trecho de uma poesia que li há muitos anos, creio que da Cecília Meireles “... Onde foi parar a vida que eu perdi vivendo?!”.
Algumas pessoas quando fazem à opção de viverem sós, abrem mão da sociabilidade inerente ao ser humano, não estou criticando ou rotulando, apenas não compreendo o que leva uma pessoa a essa escolha.
Pergunto-me repetidas vezes se a soma das decepções com aqueles a quem amamos, ou se o medo de se decepcionar ou ser rejeitado pode ser tão insuportável assim, que acabe se tornando mais acolhedor o silêncio de uma casa vazia, e mais seguro investir na compra de cobertores para aquecer as noites frias, do que se arriscar à dor da saudade, ao inseguro e imprevisível relacionamento afetivo.
Compreendo que algumas pessoas se tornam tão áridas e desérticas com o passar dos anos que por mais que conheçam pessoas interessantes com quem possam verdadeiramente se identificar, preferem não apostar, pois antes mesmo de se envolverem, já sabem que não são propriamente dadas a relacionamentos profundos e duradouros, logo, preferem deixar passar a oportunidade “Pra quê?! Por que logo eu tão azedo e intolerante, vou deixar essa pessoa gentil e agradável se decepcionar comigo á médio prazo?!"
E veja que também já conheci pessoas que pensam assim mesmo!
Por mais que lutem contra esse “mau agouro” não conseguem resistir, e quando se arriscam munidos de extrema coragem, já o fazem com a certeza de que não vai durar.
É... Vivendo e aprendendo, quem sabe um dia eu possa finalmente entender essa filosofia de vida, mas desejo de todo meu coração que eu mesma nunca faça essa opção pela solidão, por mais que a vida me bata...E bate! Por mais que essas surras doam... E doem! Ainda vale toda a pena sofrer uma desilusão, sentir saudade, sentir vontade de sair correndo sem olhar para traz só pra curtir uns minutos de silêncio.
Ainda vale muito a pena sentir atração por uma pessoa, sentir aquela necessidade de conhecer melhor o alvo da nossa atração, aquela insegurança de não saber se é recíproco, mas se não for... Tudo bem, valeu a pena ter tido a coragem de abrir a janela, valeu a sensação de ter se arriscado, sempre vale a pena sentir o coração disparar sabendo que não se sofre de problemas cardíacos!
E sempre vale a pena amar e deixar-se ser amado, porque é bom sentir o calor do abraço amigo, aquele calor de comichão que acompanha o beijo na boca, aquela gritaria e algazarra que as crianças sempre fazem quando chego em casa muito cansada do serviço.
Vale a pena viver só sem estar na solidão e vale a pena viver acompanhada das pessoas que amamos.
Sempre vale a pena deixar a vida seguir seu curso e irmos apenas norteando conforme o bom senso determina, mas vale a pena soltar nossos barcos de papel no rio para deixá-los navegar, mesmo não sabendo onde vão chegar, mesmo sabendo que vão se desmanchar na água.
JUNO
Enviado por JUNO em 23/10/2007
Código do texto: T706001
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Sobre a autora
JUNO
Mairinque - São Paulo - Brasil, 49 anos
45 textos (2031 leituras)
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