O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

Há um tempo atrás minha mãe ficou chateada comigo; é que contei pra ela que me lembrava da primeira vez que tive a compreensão do que é algo justo ou injusto, e no caso da minha compreensão, quem cometeu uma injustiça foi ela.

Fiz da primeira à quarta série em colégio de freiras. Naquele tempo quem quisesse continuar estudando, fazer o ginasial, era como diziam, teria que prestar um exame de admissão, pois não existiam vagas para todos. No meu caso, o ginásio da cidade fazia um curso preparatório para a prova de admissão. Então no segundo semestre, enquanto cursava a quarta série eu também frequentava em outro horário o curso preparatório. Frequentava? Não frequentava. Saía de casa com essa finalidade mas não ia para o ginásio. Eu e outros colegas de classe do colégio, íamos para um pequeno riacho no vale atrás do ginásio, onde construímos uma pequena lagoa e lá passávamos todo o horário das aulas. Na prova eu não sabia nada e fui reprovado.

Acontece que logo no começo do ano seguinte nos mudamos de lá, minha mãe então, para justificar a minha reprovação, disse que eles do ginásio teriam me reprovado com o propósito de não me darem a transferência, foi aí que me veio essa até então desconhecida consciência. Pensei mas não revelei, a mamãe está errada, eu é que não fui assistir as aulas por isso bombei.

JV do Lago
Enviado por JV do Lago em 18/09/2020
Reeditado em 18/09/2020
Código do texto: T7066464
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