O PRESENTE

O presente

A necessidade de se alimentar e de enfrentar as adversidades levou o homem a usar a sua criatividade para inventar as coisas. No período paleolítico, começou a esculpir a pedra e transformá-la em instrumentos cortantes para abater e transportar suas caças. Mas esses materiais avançaram para formas mais trabalhadas e ,depois ,surgiram em metais fundidos com outros metais. Chegaram ao aço inox. O ferro coberto com uma película que não oxidam em contato com o oxigênio. E surgiram as facas de aço, verdadeiras obras de arte. Assim como aquela do rapaz, o personagem principal da história que vou lhes vou lhes contar agora.

Era um objeto lindo,chamava a tenção de todos, pela sua reluzente aparência. Uma lâmina medindo umas catorze polegadas,mais ou menos ( 1 palmo e meio). Em uma de suas extremidades, uma lâmina afiada que escorregava sobre as carnes dos churrascos. Na parte superior, os nomes das mulheres mais importantes de sua vida, o da esposa e os das três filhas. Os nomes bordados e trabalhados em forma de iluminúrias, eram a sensação, chamava mesmo a tenção de todos. Tinha sido um presente caprichado da esposa. Nas reuniões com os amigos, o rapaz chegava, abria o seu estojo prateado e logo todos ficavam curiosos para ver o que havia dentro. Quando viam, era aquele deslumbre :

_Ohhh, que lindo!

Ele tinha o seu ritual de exibicionismo concretizado naquele estojo.

_Ohhh...!!!

Com alguns minutos apenas, aos churrascos que ele ía, todos tinham se deleitado com aquela esplêndida visão inesquecível. Ele fazia propositalmente , pois já sabia que causaria e pegava carona , tornando-se também lembrado para sempre.

_ Sabe o fulano? Tem um estojo lindo. Nunca tinha visto uma faca tão linda! Se fosse minha, nem usaria, ficava só na exposição decorativa.

_ Onde ele comprou?

_sei não. ! Só sei que foi presente da esposa. Comprou fora do país ,em uma viagem.

Admiro as pessoas que têm essa habilidade de presentear, mas é preciso conhecer bem o presenteado. Aí, acerta-se na mosca.

Era um verdadeiro sacrilégio apenas pensar em pegar o cabo de madre - pérola da faca. Sentença de morte! O homem não permitia. Afinal de contas, o objeto tinha um indescritível valor sentimental.

Eis que chegou um convidado com um lindo peixe inteiro para ser fatiado e assado, mas tinha ossos duros e ninguém ousou enfrentar o certame, não fosse uma mulher corajosa, destemida e desavisada que corajosamente , decidiu resolver o problema. E tá,... tá,... tá....batia o porrete com força sobre a faca reluzente. O agraciado com o presente , correu e chegou ofegante como quem viera salvar um filho do perigo. Suas suspeitas infelizmente foram confirmadas, a faca já estava toda esfolada na extremidade superior , mais dentada do que uma serra com seus morros altos e outros baixos.

E o rapaz disse com uma voz trêmula,triste e educada, por fora, porque por dentro , nem o raio- x de maior precisão detectaria o tamanho do ódio naquele momento.

- Minha filha!!!..., não faça um negócio desses!

Dava até dó, o timbre da voz daquele pobre humano.

E a mulher:

_ O que houve ? As fatias do peixe não estão da espessura do seu gosto?

E o homem falou com voz educada e dolorosa:

- Deixa pra lá!!!....

A mulher nada entendeu e todos se deliciaram com o peixe assado. Apenas uma pessoa não degustou aquela delícia. Dá até pra pensar que ele ficou com abuso de peixe.

Professora Edneuda Pinto : CLARALIZ ALMADOVA

Claraliz Almodova
Enviado por Claraliz Almodova em 23/09/2020
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