Jardim das Flores


Todo ano é a mesma coisa, sempre tenho a impressão de que a primavera chega primeiro em meu bairro. Não por acaso, ele ostenta o charmoso nome de Jardim das Flores. Nele, as flores tipicamente de inverno demoram a se despedir. Esticam suas floradas, fazendo pouco caso dos jardineiros. Assim, somos testemunhas em nossas praças da disputa de exuberantes azaléias róseas, brancas e escarlates com o charmoso plumbago, que orna-se de flores azul-pálidas, e continuará a dar o ar de sua graça durante meses.

Nossas ruas foram arborizadas com um certo critério, que com a passar dos anos se perdeu. Hoje encontramos frondosos jacarandás mimosos que abrigam barulhentas maritacas, dividindo a mesma calçada com singelas espirradeiras. É prazeroso caminhar por verdadeiros tapetes de pétalas em uma gama variada de cores. Passamos rapidamente das roxas para as amarelas, pulando das rosas para as magentas e brancas.

Os jardins são um caso à parte, a começar pelo meu, onde impera uma magnífica buganvília escarlate. Não são jardins elaborados, com canteiros esculpidos, e sim espaços, algumas vezes minúsculos, onde cada morador cultiva seu amor vegetal. E eles explodem em uma profusão de gerânios, acácias, begônias, gardênias, camélias, lírios e lantanas multicoloridas, formando um quadro digno de Monet. Talvez, em meu bairro, a primavera chegue primeiro simplesmente porque ela não vai embora.



Ly Sabas
Enviado por Ly Sabas em 12/11/2005
Reeditado em 30/06/2009
Código do texto: T70717
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.