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A palavra é uma pedra que muda, corrói.

"É difícil defender, só com palavras, a vida." (João Cabral de Melo)
 
Hoje estou naqueles dias. Naqueles dias em que as palavras atropelam-me, deixam mossa, escarafuncham-me o saber compêndio, alvoraçam-me e abalam. Sem dó nem piedade.
Algumas são leves, outras têm peso. Também não saberia diferenciá-las. Afinal, até as palavras leves pesam.
O facto é que, leves ou pesadas, as palavras hoje revelam, erram e velam-se. São símbolos velados do nosso tempo.
E pergunto-me: como retirar as palavras da solidão de uma morte lenta, sem arreliar as lápides das palavras extintas, velhas e esfalfadas?
No desuso que lhes damos é que elas se usam, extinguem-se, morrem. Não. A palavra não morre, é perpétua. Nós, os desusados, é que morremos sem saber defender a vida de cada uma delas, ou defender a nossa vida, a sós com ela.
A palavra é uma pedra que muda, corrói. Ou não?
Cristina Pires
Enviado por Cristina Pires em 02/11/2007
Código do texto: T720382

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Sobre a autora
Cristina Pires
França, 52 anos
87 textos (6815 leituras)
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Cristina Pires