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AVE DE ARRIBAÇÃO (IN MEMORIAM DE MÁRIO MARINHO)

        Nosso amigo partiu para além da realidade presumida. Levou consigo sua partitura feliz quando orquestrava a Sinfonia da vida. Se cantou como os pássaros, não sei, sei apenas que seu canto tornou-se universal. E, ele dizia:

        "Todo gordo é muito terno
         e tem uma compensação
         aquece a mulher no inverno
         e dá sombra no verão."

       Assim vejo nosso amigo Mário Marinho, amigo que além de aquecer a mulher amada, também reconforta os nossos corações com carinhos,poemas, palavra amiga e principalmente a presença, mesmo quando ausente estava - através de cartas e telefonemas estreitava o sentimento da saudade imensa. E, sem muito exagero poderia dizer que a sua sombra superou a tenebrosa sombra da morte, porque a sua acolhida dava-se para o amor, na sinceridade de amar e ser amado. Quando a sua amada desfalecia em seus braços de prazer que ela mesma proporcionava ao amado.
        A sua sombra superou a morte, sim, não porque ele era grande e gordo, grande sim, de tamanha virtude, ternura e emoção que eram a extensão de sua gordura enxertada pelos sentimentos dos amigos que bem lhe queriam. A sombra de Marinho, não era um fantasma, mas era tão incomensurável, tal o Universo que acolhe a constelação, contendo as reluzentes estrelas que brilham na via láctea. Estrelas estas, que na pessoa de sua esposa, filhos e netos, e porque não, amigos! que iluminavam a vida de quem viveu e amou demais. Hoje, não falo sobre a morte, mas sobre a vida que ele viveu tão intensamente, que era todo poesia, mesmo quando se viu com menos saúde que outrora. Superou, ousou, exaltou a vida que gritava na poesia de uma vida inteira, bem vivida,e, foi buscar lenitivo nos braços de Jesus amado. Ao visitar Marinho no Hospital na Lagoa, falei de assuntos importantes como a fé, o amor, a esperança, a paz e do propósito de Cristo na Cruz do Calvário, Aquele que morreu para nos salvar. E, Mário com aquele jeito bonachão, dissera-me lentamente:"Jesus, eu O aceito, porque sei que já fui aceito por Ele, por que sempre estivera comigo". Lembrei então, do famoso texto intitulado"Pegadas na areia".
         Na ocasião Mário havia-me dito que, assim que saísse daquele Nosocômio, escreveria um poema em homenagem a três gigantes: a Lagoa, o hospital e a montanha que avistava de sua janela. Este poema talvez não fora escrito por letras e palavras que possamos registrar, mas com certeza, a maior poesia que temos, foi tudo aquilo que ele representou e representa ante a Cultura e Literatura Brasileira e, em particular na Baixada Fluminense. Sua pessoa e sua voz são registros de tudo aquilo que está em nossos corações e ouvidos. Sua voz ecoa pelas ondas sonoras da emissora Onda Livre, e, ao tornar-se onda porque é livre, livre porque se torna também um sabiá a cantar um canto de liberdade. Por isso, ele era tão livre, tão livre que voou para um lugar, um pouquinho londe de nós, pelo menos por enquanto,  enquanto não nos vemos na Eternidade.
        Ao grupo Meriti Fazendo Arte, e a vocês leitores, é bom que saibamos que a partida de Marinho, não o faz distante, mas faz dele tão próximo, que nossa responsabilidade aumenta,e, ao parafrasear um trecho do Evangelho de Jesus, ele poderia ter dito:"vou para o Pai, mas vos deixo minha poesia!"
denymarques
Enviado por denymarques em 05/11/2007
Reeditado em 05/11/2007
Código do texto: T724876
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Sobre o autor
denymarques
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 54 anos
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