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Respeito!



Por ser de uma geração que pedia a bênção aos pais,avós e padrinhos, respeitava os mais velhos chamando-os de "senhor(a)", não fumava na presença dos pais e/ou mais velhos, solicitava permissão para adentrar a sala de aula quando eventualmente , chegasse atrasada.Sempre acreditei que uma hierarquia regia a ordem natural da vida para que o caos não se estabelecesse nem a anarquia que a nada nos leva.Com tais princípios sedimentados na minha personalidade fui crescendo e considerando que assim o era para todo o sempre.
 
Ledo engano! 

Imensa foi a minha decepção quando fui me apercebendo
à medida em que avançava na idade, que as coisas não eram como eu imaginava. Havia sim um princípio que regia o relacionamento entre as pessoas, isto me fora passado no meu processo educativo no seio da minha família,mas que não se estendia  às demais pessoas.Crescí assistindo conflitos entre pais e filhos onde os filhos se portavam como pais e muitos pais morreram nestas contendas.Estudei, formei-me no magistério e percebi que as coisas estavam por demais mudadas...Os alunos chegavam atrasados, adentravam a sala de aula assobiando e, sequer cumprimentavam-me. Por mais que eu dialogasse, falasse do valor e da nobreza de um comportamento educado mais eles se comportavam como se fossem donos do colégio e, quiçá, do mundo.Enfim, éramos seres distintos, de gerações distintas com princípios distintos.Segui a vida, observando as idiossincrasias humanas, não com sentimento de repúdio ou crítica, mas como algo valioso para ser devidamente elaborado, retirando do mesmo valiosas lições.

Aqui,abro um parêntese para ressaltar que, na minha opinião, aquilo que discordamos, não deve ser por nós criticado, apontado com o dedo em riste , nem mesmo desprezado e sim, analisado, acariciado e estudado com carinho pois,certamente, nos trará lições enriquecedoras.

Um pouco mais amadurecida, já graduada em enfermagem, me deparei com situações bastante bizarras no meu cotidiano profissional.Nem por isto deixei de gostar da minha profissão e desempenhá-la com o mesmo amor e zelo de que se faz merecedora. Mas a vida nos apronta surpresas...E como !!Certa feita, em uma reunião mensal entre chefia e nós enfermeiros, fui abençoada com a fala da minha chefe, que tem idade para ser minha filha,referindo-se à mim e a uma outra colega da mesma faixa etária minha,nos seguintes termos:
       -Vocês já estão tão velhas que os dentes estão caindo e ainda não sabem....?? Ao que respondi com serenidade e respeito: 
       -Bem, a meu ver quem cai dentes é cachorro, ou não?!
E ter sessenta anos não é nenhum desdouro.Ou será??Na época eu tinha uns cinquenta e sete.

No momento em que ouvi aquilo fiquei estarrecida com a tamanha falta de educação e respeito até porque ela tem idade para ser minha filha e, alí, naquele momento, constatei a diferença entre os valores que tinham sido passados para mim e para ela.Fiz-lhe ver a aberração que estava cometendo com tamanha falta de princípios e me retirei da reunião. Hoje ela não é mais a minha chefe . A substituta também é jovem, porém educada.

E assim vou caminhando,acreditando que determinadas pessoas, hierarquicamente situadas,merecem o nosso apreço e admiração.
Ledo engano!

Em uma outra ocasião, cadastrei-me em um site onde podíamos postar nossa "conversa fiada" , no meu caso; e poesias, relatos
artigos etc...em outros casos...Lí coisas lindas que muito me emocionaram e algumas estarrecedoras, assinadas por pessoas ditas profissionais e semi-profissionais.

Então fiquei refletindo:
       - Não seriam os profissionais e os semi-profissionais os mais abalizados para passarem até nós, "amadores", os princípios que regem a ética entre nós? Sim.Porque se alguém se diz profissional ou semi-profissional, podemos concluir, sem medo de errar, que eles fazem dos seus produtos literários uma forma de sustento total ou parcial. Estou errada?! Se estou, me corrijam, por favor.

Pena que tais criaturas não percebam o quanto se enredam nas próprias malhas tecidas pela própria incúria.Misturam alhos com bugalhos; lavam a roupa suja diante de todos quando deveria ser lavada ma máquina,no reduto domiciliar, na sua intimidade.
Fiquei, mais uma vez, assustada diante dos fatos.Tentativas de avacalhar pessoas que, por credulidade,se envolveram com os avacalhadores. É demais!!

Não me acostumarei, jamais, com a falta de educaçãoque grassa entre criaturas que se auto intitulam profissionais disto ou daquilo.
Por que não são também profissionais do bom exemplo?Sim, até porque não há melhor maneira de transmitir educação, do que o próprio exemplo.Minha mãe, ao educar-me, ensinou-me algumas palavras mágicas que não poderemos nos esquecer delas, nunca!
-Por favor; desculpe; obrigada(o); me perdoe...etc...etc..Ensinou-me também que envelhecer faz parte do ciclo vital completo.
Nascemos,crescemos,reproduzimos,envelhecemos e morremos.
Ninguém, absolutamente ninguém; pessoa alguma será capaz de driblar o envelhecimento. A não ser, que morra ainda jovem.

Então, aos que estão na fase "sexy",sexagenária, sintam-se felizes por estarem envelhecendo lúcidos e participativos, até porque deixarão de ser chamados velhos e serão idosos ou criaturas da "melhor idade"!

Sou e estou feliz e em paz. Viúva aos trinta e dois anos de idade,
com quatro filhos, consegui driblar a má sorte e as coisas ruins, criei e eduquei meus filhos de tal maneira que não passei pelas agruras que muitos pais passam quando os filhos debandam para as drogas, furtos,cadeias etc...Aliás, acredito que isto nem se deva ao fato de ter sabido educá-los mas tão somente pela misericórdia de Deus.

Enfim, a minha reflexão continuará até a consumação dos séculos...Gosto de refletir...PAZ!!

Fiquem com Deus,em paz e reflitam também...é bom...


Imagem do site google
http://www.coramaria.com.br/reflexaodevida.htm
Sônia Maria Cidreira de Farias
Enviado por Sônia Maria Cidreira de Farias em 06/11/2007
Reeditado em 03/07/2008
Código do texto: T726313
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sônia Maria Cidreira de Farias
Jequié - Bahia - Brasil
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Sônia Maria Cidreira de Farias