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Minha Senhora

            Um dia desses estava assistindo  a uma TV portuguesa e fiquei detida nesse canal por alguns instantes, prestando atenção a uma cena de telenovela. Uma mulher, de mais de meia idade, uns cinqüenta e poucos talvez, aguardando um homem bem mais jovem que ela. A questão é que ele foi correndo, ansioso por encontrá-la, apaixonado, morrendo de saudades. A mulher, já com as rugas bem mais do que visíveis e com jeito de senhora, na maneira de trajar e se portar, nem tão bela, nem tão conservada; uma mulher como milhares que existem nos quatro cantos do mundo. Confesso que fiquei maravilhada naquela cena, tão corriqueira, não fosse pela ‘senhora’. E na cena, ele a tratava assim, minha senhora, com um amor repleto de respeito, de carinho e de paixão. Como pode uma ‘senhora’ despertar tais sentimentos em alguém mais jovem, tão bem apessoado, como aquele homem? Claro que não me fiz essa pergunta, mas muita gente se fez, tenho certeza disso.
A cena ficou gravada em minha memória porque  achei-a  tão real, tão possível, tão viável. Muitos jovens diriam ser uma cena patética, afinal, como pode uma mulher tão mais velha, tão enrugada poderia despertar ‘paixão’ em alguém bem mais jovem? A cena não é patética, mas sim, poética. E aí que está a magia dela, em mostrar que todos, independente de idade, de forma física, de rugas, de defeitos ou virtudes, temos sentimentos, de todos os tipos, de todas as raças; sentimentos humanos, porque somos feitos de carne e osso, e de alma também. Temos o direito de sentir amor, mesmo aos setenta, aos oitenta... Nossa carcaça pode mudar, mas a pessoa humana que a habita, continua com um coração palpitando, continua tendo desejos, sonhos; continua acalentando ilusões.
Eu ainda não sou uma ‘ senhora’, mas chegarei lá decerto. E serei eu ainda nessa nova roupagem. Você também.  Sentimentos do coração não são privilégios de pessoas jovens; parece que o amor na idade tenra se resume em muitos beijos públicos e muitos amassos. Amor pode até se vestir dessa forma, mas também se reveste de olhares, de sorrisos, de mãos se tocando, de companhia um do outro, e de beijos e de cama. E nada disso precisa ser tão público, tão notório.
Amar não é só revelar, mas velar para não quebrar o encanto, porque não interessa a quem não estiver na relação; talvez essa seja a mágica de um amor maduro, talvez por isso tantos homens se apaixonem pelos encantos de uma ‘senhora’.

 
 























Elizabeth F de Oliveira
Enviado por Elizabeth F de Oliveira em 08/11/2007
Código do texto: T728435

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Sobre a autora
Elizabeth F de Oliveira
São Luís - Maranhão - Brasil
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Elizabeth F de Oliveira