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A casa

    A CASA. Quando era criança cantava incansavelmente a bela música:Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...

    Essa era a sua casa nesse momento. Tinha passado por um dia cansativo e não tinha para onde ir. Pensou no quanto é importante esse espaço físico, nunca tinha se dado conta disso, sempre teve um lar.
    Se lembrou de Fred, o gato que a recebe no portão quando chega na casa de sua mãe, nas azaléias vermelhas que plantou no canteiro do jardim, no sofá da sala onde já dormiu tantas vezes com a televisão ligada e que, no meio da noite, sua mãe vinha desligar e a cobria com uma manta.
    Saiu da sede sem saber ao certo para que lado caminhar. A Rua Vergueiro ainda tinha um movimento grande de carros, apesar de já ser mais de onze da noite. Começou a chorar, sentiu-se vulnerável, extremamente vulnerável. Ligou para seu chefe, que tinha ficado de resolver este problema, ele apontou soluções que eram, antes de qualquer  coisa, problemas. Pensou em voltar para a sua acolhedora cidade no interior paulista, mas já era muito tarde.
    Chorou, sem se dar conta de que ainda haviam muitas pessoas na rua. Sempre fora tão orgulhosa, sempre se  preocupou em parecer uma rocha e, naquele momento, pessoas desconhecidas viam exposta toda a sua fragilidade.
    Foi até a esquina e esperou que o semáforo de pedestres ficasse verde. Quando atravessava a Vergueiro ouve um barulho em seu celular. Já  tinha se decidido, passaria aquela noite em um hotel e no dia seguinte daria  uma solução definitiva para esse problema. Procurou o telefone em meio a  bagunça de sua bolsa.
    Era ele, um torpedo, ele estava preocupado e queria  estar  junto dela para lhe dar colo naquele momento. Eles tinham se falado  por telefone um pouco antes, mas aquele semples torpedo a fez sentir-se
 ainda mais só. Desejou profundamente que ele estivesse por perto, por mais  que ele não pudesse resolver o problema, só o seu olhar já a faria sentir-se  mais segura.
    Mas, incrivelmente, o torpedo teve esse efeito. Ela parou imediatamente de chorar, enxugou as lágrimas e conseguiu sorrir. Atravessou a  Domingos de Morais e andou a procura de um hotel.
Flavia Garcia
Enviado por Flavia Garcia em 14/11/2007
Código do texto: T737197

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Sobre a autora
Flavia Garcia
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Flavia Garcia