ÁGUAS DO SÃO FRANCISCO

Durante o reinado do Imperador Dom Pedro II havia a figura do Intendente das Comarcas e o Sr. Marcos Antônio de Macedo (intendente na comarca do Crato/CE) diante das consequências da seca de 1844 a 1845, planejou em 1847 a transferência das águas do Rio São Francisco, a partir de Cabrobó/PE para perenizar o Rio Jaguaribe, mas pelo conhecimento de engenharia da época o projeto foi deixado de lado.

Quando em 1877 houve a grande seca que dizimou parte considerável da população cearense, tal projeto chegou ao conhecimento do Imperador, mas o Barão de Capanema constatou não haver recursos técnicos para fazer a água ultrapassar a Chapada do Araripe que fica entre o Sul do Ceará, Noroeste de Pernambuco e Sudoeste do Piauí.

Apesar do Imperador ter vendido joias da coroa e obras de arte o dinheiro arrecadado não foi suficiente para fazer as obras que o parlamento sempre se recusou a considerar como necessário.

Depois da seca de 1877, engenheiros brasileiros e ingleses, vieram ao Nordeste e chegaram à conclusão de que deveriam ser construídos açudes e barragens, mas só em 1890 (já período republicano) foi que se iniciou a construção do açude do Cedro/CE.

Em 1943, governo Vargas, retomaram-se as discussões sobre a transposição, mas nada foi feito.

No governo de João Figueiredo, foram feitos novos estudos, mas ficou só nisso.

No governo de Itamar Franco novo impulso com o convite feito ao deputado Aluísio Alves para ser ministro de integração e tocar a obra considerada de interesse federal conforme decreto enviado aos senadores.

No governo de Fernando Henrique criaram-se comissões para estudos de viabilização da transposição do Rio Tocantins para “engordar” o São Francisco e de recuperação da sua bacia.

Finalmente em 2004, o governo do “homem mais honesto do mundo”, deu início à construção com previsão de entrega em 2012, mas devido aos constantes desvios de recursos, contratos superfaturados, obras malfeitas com materiais de péssima qualidade, ingerências de opiniões contraditórias e egos inflados a obra só foi retomada quando outro Potiguar – ministro Rogério Marinho - foi encarregado pelo Presidente Bolsonaro para a conclusão e, em menos de três anos, corrigiram-se os defeitos e foram concluídos os 85% faltantes da obra sob a responsabilidade do governo federal.

Assim como as grandes artérias do nosso sistema circulatório sanguíneo, esses cursos d’água darão suporte a pequenos canais e tubulações que deverão ser construídos pelos governos estaduais e que serão os responsáveis por promover a irrigação através de pequenos ramais tal e qual nossos vasos capilares onde os nutrientes e O² são trocados pelos CO² e metabólitos resultantes dos processos celulares, mas diferentes destes as adutoras não farão o retorno da água que servirá para o consumo humano, produções agrícola, pecuária, aquicultura e industrial.

Acima de tudo essa obra representa a libertação do povo nordestino do jugo dos políticos inescrupulosos que, por 175 anos, postergaram o ideal do intendente Marcos Antônio de Macedo.