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" O que temos feito para agradar ao Senhor? "



Às vezes me pego encantado diante dos artifícios que imagino, e consigo tornar realidade:
Vejo neste momento em que amanhece, uns pequenos amigos cantantes e cheios de felicidade, transformando a minha varanda em um salão de bailes, como um teatro em miniatura: de bailados e óperas!

Criei um cenário pitoresco: Um mamão maduro, uma penca de bananas, uma vasilha onde coloco água para o banho, e um vaso com alecrim, mangerona e poejo, exuberantes!

Os beija-flores são companheiros de muitos anos, e os caga sêbo, que dividem tres vasilhas com agua açucarada.
Se estranham às vezes, mas fazem uma bela companhia: Os caga sêbo cantam ao redor do sobrado, os beija-flores, bailam!
As rolinhas gerenciam a canjiquinha e o miolo do pão e arroz cozido.
Às vezes um canarinho da terra vem trazer o ar da graça, e pardais e bem-te-vís.
Pelo fato de não possuir gato, uma saíra azulada e verde, linda, vem sempre fazer seu ninho no pé de samambaia: È toda tranquilidade!

Foi muito difícil atrair os assanhaços. Durante um mês eu colocava alimentos e nenhum sinal. Nenhum canto, nenhuma bicada no mamão! Pensei que estivessem todos extintos do meu bairro, sem nenhum atrativo para a vida silvestre: Encantado percebo um casal de sabiás rondando o meu pomar.
Qualquer manhã eles estarão provando das minhas bananas: serão bem vindos!

Apesar da mangueira carregada de frutos amarelos do meu vizinho distante, e do abacateiro do que mora ao lado, eles vem com uma alegria, ora singela, ora trepidante, se alimentarem com a minha oferta.
É uma doação simples de amizade. Com suas alegrias trazem a prosperidade!

Assim vou tendo a companhia de uma centena de amigos fiéis todos os dias, que trazem o  bailado e o seus cantos, em felicidade jubilosa, agradecidos por alimentos, que por direito natural lhes pertence.
Não vejo este gesto como uma troca, me sentiria humilhado pensando assim. Fazer isto é responsabilidade de alguem. Assumí!
Estamos criando um pequeno portal onde eu procuro ser aceito, amado por estes irmãos menores e mais proximos de Deus!

Pretendo uma grande amizade, assim na terra como nos céus!

Os animais vivem inteligentemente. Se vigiam, observam quando o outro começa a fazer uma rota com mais intensidade.
Nestes tempos de pomares magros, é preciso estar atento ao que o amigo anda descobrindo.
Um mês para aparecer o primeiro assanhaço, na semana seguinte já tinham seis na minha roça!

Tenho um pensamento que acumula esperança no meu coração!
E se alguns amigos que visitam a minha casa, resolverem imitar o meu pomar suspenso, que eu fui adaptando de outros pamares da vida? Estaremos prestando uma grande ajuda à natureza, devolvendo um espaço de sobrevivencia para os nossos cantadores, comediantes, bailarinos!

Acredito que de bençãos seria agraciada a terra, se imitássemos os pássaros!

Confesso que eles me agradam e fortalecem a minha fé. Me tornam melhor diante de mim mesmo!
Chego a me imaginar diante do universo, e diante de Deus, com esta pureza e alegria que não temos, ou esquecemos que ele existe!

E nós, seres humanos, que recebemos tanto e dividimos tão pouco com os homens, e com os nossos indefesos amigos desta viajem terrestre:

O que temos feito para louvar e agradecer ao Senhor?

Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 21/11/2007
Código do texto: T746417

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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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