Esperando pela MORTE

Passei toda a minha vida a combater o desejo de acabar com ela.

Kafka

A origem da palavra "decisão" (lat. de [parar, interromper] + cidere [cortar, cindir]) aponta para o sentido de "deixar fluir", "liberar o andamento" etc.

Ao decidir lutar contra o desejo de cometer o suicídio, estamos ingressando em um novo combate – o mais difícil de todos. Nós mesmos contra Nós mesmos.

Não é fácil não se adaptar a esse mundo mórbido, pervertido, pútrido, perdido em enganação, corrompido por preços (no lugar de valores). A pessoa tem que fingir se adaptar a essa imundície reinante. Mas esse fingimento lhe custa caro: sua saúde, pois ela depende de sua paz para se manter.

Os psiquiatras indicam remédios após remédios.

A gente já vai abreviando a hora da morte: perde a vontade de se alimentar, vai empurrando a vida com a barriga... Sente que o inconsciente está a lhe empurrar rumo ao precipício: MORRE, DIABO!

A gente anda beeeeem pra baixo porque vê um monte de vidas sem valor prosperando, envenenando pessoas e animais; vê um monte de gentalha se dando bem. Para quê?

A vida, assim me parece, não tem sentido.

A morte, por outro lado, como diria a personagem Abutre, em "... E então você morre!", datada de 1985, se não me engano, num episódio em que é combatido pelo Demolidor: "A morte é o que dá sentido à vida, otário." O vilão responde isso a Franklin Nelson, amigo e sócio de Murdock, alter ego do Demolidor. Nelson subira ao topo do prédio para refletir se deveria se jogar de lá ou esperava mais um pouco.

Hoje me sinto como num desses dias.

Morrer sozinho, sim. Mas só se for para deixar uma carta amarga e que deixaria um monte de pessoas em choque.

Não há por que procurar por Deus se isso não faz diferença agora.