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Gaiola de passarinho

GAIOLA DE PASSARINHO

   Jocenir Barbat Mutti
Out/07



                Não sou adepto, mas respeito um percentual grande da população que curte animais de estimação. Dói, isto sim, no fundo do meu coração, ver numa gaiola um passarinho preso.
                É impressionante o aumento da quantidade de cachorros que cada vez mais as famílias estão colocando dentro de suas casas. Por que isso estará acontecendo ?
                Na TV, um especialista em Marketing elogiava os cachorros. Ele enfatizou cachorros, não Pit Bull, Fila, Rot Weiller e Dobermann, que são feras que necessitam de focinheiras. Referiu-se a cães que recebem seus donos sempre da mesma maneira, não interessando se antes foram por estes mal tratados, se os donos chegaram estressados e mal humorados. Vai lá o cachorro; lambe, se esfrega tipo uma criança, desarmando completamente qualquer problema que seu dono trouxer. O Sigmund nem precisa explicar.
                 Quase toda família tem um membro que é cachorreiro. Este é tão veemente na sua intenção, que convence aqueles que têm dúvidas a assumir. Já uma família que tem um não cachorreiro convicto, terá sérias dificuldades para criar um bicho dentro de casa.
                Acredito que se eu fosse um cusco, gostaria de viver num sítio ou numa estância. Conviveria livremente com outros cachorros e  animais e poderia principalmente seguir meu dono numa tropeada a cavalo.
                   No último senso da população brasileira, notou-se uma queda grande no crescimento demográfico. Este fator, aliado à insegurança que permeia na nossa sociedade, são elementos  significativos para que as pessoas queiram animais domésticos em seus lares, propiciando mais alegria às famílias, particularmente as pequenas, fazendo-lhes companhia, e também  tentando escorraçar os malfeitores.
                 Certa ocasião, meu filho menor queria um cachorro. A contra gosto, ganhei um filhote de Dálmata (na verdade minha esposa é que ganhou), por sinal, muito bonito. Me reuni com a família e afirmei que não iria cuidar daquele bicho. Primeira noite, três horas da madruga, ouvi um choro na garagem. Senti que só eu estava ouvindo, pois ninguém deu sinal de vida. Muito brabo fui atender o reclamante. Cobri-o com um cobertor e nada. Coloquei um despertador com tic-tac e nada. Tentei dar uma água, chutou o pote. Resolvi ir dormir.
Segundo dia, nova reunião com a família. Também nada mudou.
No terceiro dia, devolvi o cão para a fonte doadora. Duas semanas depois me disseram que o cachorro tinha morrido.
                  A única crítica que faço para todos os cachorreiros é  sobre a seguinte frase que está na ponta da língua deles, quando seu cão se aproxima de alguém  : “ não te preocupa, ele é muito mansinho “. Diante disso, eu penso mas não digo : - Não quero saber se ele é mansinho, eu só quero vê-lo longe de mim. Dá para entender, os cachorreiros amam tanto seus bichos que não conseguem nem imaginar que alguém não coadune com seus  sentimentos.
                 Newton descobriu a lei da gravidade, observando a queda de uma fruta. Também fiz minha descoberta sem querer.
Quando estávamos modernizando nosso pátio, um paisagista,  com um bonezinho cor de rosa, estava colocando uma pequena fonte num recanto. Conforme o estilo que ele tinha projetado, a fonte teria uma bacia de barro, na qual cairia água de uma jarra, colocada logo acima. Para minha grande felicidade, no momento em que coloquei a fonte em funcionamento, surgiram muitos pássaros, de diversos tamanhos e que vieram beber água e para minha surpresa, tomar banho na minha fonte.
                 Hoje, ao entardecer, costumo tomar meu vinho, curtindo aqueles bichinhos lindos, pertinho, fora das gaiolas. Pela felicidade que sinto neles, também fico muito feliz.




Jocenir Mutti
Enviado por Jocenir Mutti em 25/11/2007
Código do texto: T751992

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Sobre o autor
Jocenir Mutti
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 72 anos
18 textos (10203 leituras)
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