ESTÁGIOS DA VIDA

Após ler um artigo na Internet que aborda “Os 8 estágios do desenvolvimento pessoal” de Erik Erikson, psicanalista americano conhecido por sua teoria geralmente aceita do desenvolvimento da personalidade, o mesmo me inspirou a fazer uma analogia sobre as fases que marcam a nossa existência. Em seu discurso, resumidamente, todo ser experimenta tempos de crises na vida, acostuma-se pela condição vivida, até com certa indiferença de algo negativo. Segundo Erik Erikson, as crises não são fatos meramente incontroláveis, mas sim um processo natural e necessário, alicerce de toda mudança e progresso. Ele define crises como situações desafiadoras que nos permitem nos superar e aprender mais sobre nós mesmos. Segundo ele, nosso curso de vida consiste em oito etapas ou ciclos, cada um caracterizado por um conflito específico,

Erikson acreditava que as pessoas continuam a mudar suas vidas e ininterruptamente continuam ganhando novas experiências e conhecimentos. Se assim não fosse, não ocorreria o desenvolvimento, estancaríamos em um determinado estágio. É verdade que alguns seres não se permitem evoluir, estagnando-se no mesmo patamar da existência. O ambiente no qual a pessoa vive é determinante para passar de um estágio a outro. Em síntese, citarei apenas os tópicos que listam os 8 estágios do desenvolvimento pessoal, segundo Erik Erikson: 1. Confiança Basal vs. desconfiança básica (0-1 anos); 2. Autonomia vs. vergonha (1-3 anos); 3. Iniciativa vs. dívida (3-6 anos); 4. Causa vs. inferioridade (6 anos até a adolescência); 5. Identidade vs. confusão de papéis (puberdade); 6. Intimidade vs. Isolamento (jovem adulto); 7. Generatividade vs. Estagnação (experiencia); 8. Integridade do ego vs. Desespero (sênior).

Tudo isso me fez refletir o estágio no qual me encontro agora. Quero crer que a nossa passagem por esta vida, tal qual a conhecemos, nem sempre ocorre da forma que a programamos. Existem sonhos, desejos, ambições e, com todos esses ingredientes, têm lutas pelas conquistas, vitórias, alegrias, derrotas, decepções e lágrimas. Na verdade, poucas coisas, ou quase nada, estão sob o nosso controle. Podemos saborear momentos doces e momentos amargos, porém eu entendo que cada um desses momentos são aprendizados para entendermos valorizar as glórias alcançadas e não amaldiçoar as perdas.

Assim como Erik Erikson elaborou sua tese, permita-me prezado leitor ou leitora, com toda a humildade, elaborar o meu parecer, de acordo com a minha situação de momento, pois portador que sou da síndrome Parkinsoniana, nunca procurei esconder a realidade embora, ao receber o diagnóstico categórico, o impacto tenha sido uma porrada bem na boca do estômago. Respirei bem fundo, uma vez, duas vezes, três vezes e sai em busca de informações para eu entender o que o futuro me reservaria (continuo a respirar fundo todos os dias). Pude constatar que existem recursos para proporcionar um certo grau de qualidade de vida com medicamentos e atividades afins. Não está sendo fácil manter a disciplina e a rotina diária, assim como a metamorfose pelo qual o meu corpo está se transformando, mas viver é um desafio em todos os estágios da nossa existência.

Eu encaro esse estágio da minha vida como um curso de mestrado, depois da graduação em publicidade e propaganda, duas pós em marketing, entre outros cursos de especializações e experiências na área de comunicação, quem sabe eu chego a um PhD em alguma coisa capitalizando este momento. A síndrome me levou a refletir e a encarar a vida com mais ternura, que vida, na concepção da palavra, não se resume apenas a existência de nascer, de viver e de morrer, é algo muito complexo composto por experiências que norteiam cada ser vivo diante dos fatores, ou agentes, como queira, os quais poderíamos definir como sendo presença, vivência, época, fase, ciclo, era, idade, tempo, estação, período, momento, metabolismo, estágio...

Fato é que quem adquire uma doença irreversível e sabe que o esforço por suportar as angústias, as agruras e as inquietudes por vezes lhes parecem ser mais atuantes que a própria vontade de viver. Confesso, luto com os meus pensamentos, em todos os instantes, acreditando que é preciso viver o agora, pois somente o hoje é real. Quanto ao amanhã, oras, logo será o ontem.

Na atual fase da minha vida, acredito que estou adquirindo conhecimentos e habilidades que até então pensava não possuir. Me fez perceber que quando mudamos nossas atitudes tudo melhora, acentuamos a nossa resiliência. Agora, quando perguntam como estou me sentindo, simplesmente respondo: por ora estou bem, por vezes, ótimo, afinal somos meros estagiários nesta vida, simplesmente assim.

Samuel De Leonardo (Tute)
Enviado por Samuel De Leonardo (Tute) em 14/06/2022
Reeditado em 14/06/2022
Código do texto: T7537494
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