6 às 6

6 às 6

Ouço gritos de despertar. São elas! Com cores azuis e amarelas cortam o céu que ainda nem nasceu e tem a lua como visita que já vai embora. Todos os dias elas vem às 6:00h da manhã nos alegrar com seu bom dia. Sempre em pares ou ímpares, mas nunca sozinhas.

Percorrem o espaço silencioso que ainda é só delas. Livres como o olhar de quem as admira passar. Quem nos dera ser leves como suas asas e voar nas esperanças que surgem a cada manhã.

Será esta a mensagem das araras? Prefiro pesar que sim. Me acalenta a mente e a alma. Doce alma atormentada por barulhos sombrios e gritantes, que por hora tem apenas a música que a natureza criou.

Durante o dia elas sempre bailam nos céus de toda cidade contempladas por olhares apressados ou por aqueles, que como eu, reservam segundos de atenção a elas. Um desacelerar de nós mesmos em busca de um alívio.

À noite, como “Ave Maria” que ressoa às 18:00h em ponto, lá vem elas cortando o céu vermelho de inverno. Só vejo suas curvas escuras. Mas ouço o seu canto. Grito de liberdade. Venha comigo! Veja como sou livre. Lá no fundo, vejo mais quatro delas, mas não posso ouvi-las. Sinto o som imaginários do bater de suas asas em meus ouvidos. Tem cheiro de voo livre.

Quando cheguei por aqui achei que só existisse um casal de araras. Com o passar do tempo descobri que elas eram mais delas do que nós de nós. Se é que me entendem... É que as araras são delas e para elas. Se abraçam, se conversam, se olham e se bicam. Nunca chegam em seus ninhos sem se falar, sempre voam a se bailar. Cada entrega é um retorno que as fazem ser cada vez mais presentes nos céus de meus dias.

Tingidas de um azul e amarelo que só a natureza pode criar. Emitindo um som com dom de despertar. Araras que me acordam e que me anoitecem. Araras que muitos acham que gritam, outros que cantam, mas que ao certo se chama taramelar. Seu nome? Arara Canindé.