Psico-escrita

A escrita chegou em um momento da minha vida, onde eu só queria sumir do mapa. saía dos lugares, não olhava para as pessoas, me sentia isolada tanto por dentro quanto por fora, e isso era mal. A minha relação com a escrita é como se eu tivesse desabafando com alguém que confio e sem dúvidas, eu confio o bastante em mim para me dar sermões, para saber que eu estou errada e concordar com minhas próprias ações de vez em quando.

Lembro do meu primeiro texto, sem pé nem cabeça e ainda o guardo em um caderninho de anotações.

2016 foi o ano em que entrei no Ensino Médio e como em todas as escolas, eu me sentia como se não pertencesse aquele lugar, ficava tão longe que na maioria das vezes não escutava as pessoas ao meu redor, uma sensação que não desejo a ninguém. No começo do ano fiz dois amigos, Larissa e Paulo. Os dois eram carne e unha e mesmo que ninguém percebesse, eu nunca me doei tanto quanto aquele tempo, mas não conseguia me abrir totalmente e eu não entendia até chegar um tempo que só ia para a escola para marcar presença. Não conseguia me concentrar nas aulas, fazia esforço mas acabava levando notas baixas e isso acabava comigo.

Nunca entendi a relação que a coordenadora tinha com meu irmão, não sei se ele era tão gentil ao ponto de fazer todos sorrirem com uma simples conversa, mas ela adorava ele, isso não era novidade para ninguém. O ano foi em volta disso, e eu sentia como se me obrigassem a ser como ele, sem contar com as inúmeras garotas que chegava só para perguntar se eu era MESMO a irmã dele, eu achava isso ridículo demais. Sei que todo mundo é curioso mas como eu tinha paviu curto, não aguentava três vezes e já queria espancar a pessoa ou simplesmente mandar ela ir apanhar goiaba (para não dizer outra coisa), mas não fazia nada por medo de mim mesma.

Abusava das chances que ficava sozinha para ir à biblioteca, para ficar sentada em um cantinho que escolhi para ficar pensando na vida agitada que tinha e foi nesse cantinho que nasceu a escrita.

Me sentia cansada por não poder falar nada, ou simplesmente não falar por medo de ser contrariada. Comecei a escrever coisas poucas, mas era tão gostoso a sensação de libertar pensamentos, que não parei, mesmo escrevendo tudo errado. Eu era uma aluna péssima em português e a cara do professor não ajudava, mas tinha que me virar. me sentia sufocada nos meus próprios pensamentos e a escrita no momento era a única solução que aceitava ser "o certo".

Nunca, durante minha vida inteira até aquele momento, eu conseguia falar o que eu pensava sem embaralhar tudo nos meus olhos, sem chorar, sem me senti engasgada no meu próprio mar, e sempre chorava mais do que falava, e foi aí que pensei que não seria má ideia escrever. eu não precisava chorar, não precisava pensar para escrever por que eu não iria precisar abrir minha boca para isso e muito menos me embaralhar, era libertador.

E eu não parei. É um vício, mas ao contrário de outros vícios, esse é gostoso, libertador, e não me trás doença.

Regiane s Vieira
Enviado por Regiane s Vieira em 06/07/2022
Código do texto: T7553661
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