SOS NORDESTE

MEU AGRADECIMENTO AOS NORDESTINOS

Nelson Marzullo Tangerini

Os recentes ataques aos nordestinos, por terem nos salvado do fascismo, no primeiro turno das Eleições Presidenciais, chegou à beira da irracionalidade, senão mesmo da total imbecilidade daqueles que têm pouca ou nenhuma intimidade com a literatura brasileira, com registros grandiosos de inúmeros cantores, cantadores, compositores, poetas, pensadores e escritores nordestinos.

Devemos agradecer aos nordestinos, por exemplo, por terem libertado nossa literatura dos padrões lusitanos, ou franceses, porque foram eles que deram uma nova roupagem à língua portuguesa do Brasil. Moldaram a língua de Camões à realidade e aos vocábulos indígenas e africanos. Daí o baiano Caetano Veloso gostar de sentir a sua língua roçar à língua de Luís de Camões. E convidar Elza Soares para registrar esse grande encontro: da língua tropicalista à língua renascentista daquele vate lusitano.

Infelizmente, o Brasil fascista não conhece o Brasil pensante. E não quer conhecer. Não quer ler. Não quer pensar. Pessoas obtusas, sem cultura e sem sensibilidade alguma, de seus cercadinhos conservadores, negacionistas, supremacistas e preconceituosos, ainda insistem em chamar os nordestinos de ignorantes e analfabetos, chegando ao ponto de o capitão cloroquina oferecer capim ao povo nordestino.

Os ataques aos nordestinos, nas redes sociais, mostram a agressividade da extrema direita. Enquanto xingavam aqueles que ajudaram a construir seus grandes centros urbanos, muitas vezes exercendo trabalho escravo e mal remunerado, diziam que os nordestinos só serviam para trabalhar como peões, como porteiros de edifício ou caixas de armazéns, ignorando (derivado de ignorante), que muitos daqueles homens desceram para o sudeste e o sul em busca de melhores oportunidades, uma vez que foram vítimas da exclusão e das desigualdades sociais a que foram impostos pelos governos autoritários e segregacionistas.

Gregório de Matos, José de Alencar (embora tenha nojo de seu livro “Cartas contra a Abolição”), Luís Gama, Joaquim Nabuco, Raimundo Correia, Bastos Tigre, Artur Azevedo, Aluísio de Azevedo, Raimundo Magalhães Jr., Rachel de Queiroz, Josué Montello, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Neto, Capinam, Torquato Neto, João Ubaldo, Jorge Amado, Ariano Suassuna, entre tantos outros – muitos destes Imortais pela Academia Brasileira de Letras, ABL -, construíram seus legados na História da Literatura Brasileira, colaborando com o abrasileiramento do idioma do Português.

Quem negaria, por exemplo, a genialidade de Rachel de Queiroz, que combate a ideia de que a mulher é o sexo frágil e vai, com maestria, mostrar a força e a firmeza da mulher em suas lutas diárias? Quem irá negar a obra genial de Jorge Amado, escritor de fama internacional?

A ABL, que abrigou em sua confraria tantos nordestinos, devia, neste momento – penso -, sair em defesa da intelectualidade nordestina.

Devemos expandir, também, essa discussão em defesa dos grandes artistas nordestinos, como Luís Gonzaga, Azulão, Gilberto Gil (Acadêmico), Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Novos Baianos, Fagner, Belchior, Ednardo, Vavá, Tom Zé, Quinteto Violado, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Alcione, entre tantos nomes que transbordariam o copo desta humilde crônica.

Tal ataque, preconceituoso e descabido, nos faz lembrar a invasão de Canudos por soldados vindos do sul do país. Certamente, não cortarão as cabeças dos nordestinos, mas tentarão aniquilar a massa pensante que se recusa a aceitar as mentiras e os fakenews elaboradas dentro do “Gabinete do Ódio”.

Que o calor, a genialidade e a intelectualidade nordestinos "nos salvem, nos salvarão dessas" trevas frias do fascismo, avesso à Cultura, à Saúde e à Educação.

Obrigado, irmãos nordestinos, por lutarem contra a cultura das motociatas – criadas por Mussolini -, das armas, da violência verbal a jornalistas e mulheres intelectuais. Obrigado por resistirem a todos esses ataques insanos e estarem tentando nos salvar do fascismo!

Capitão, ofereça capim a seus seguidores!

Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 12/10/2022
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