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Crônicas que elevam a alma>1ª > O MENINO, O AVIÃO, O SORRISO

           O pequeno avião entre as planta do jardim e no beiral do segundo andar estavam os dois olhinhos cinzas e brilhantes vasculhando em meio a escuridão, e nada encontraram. Augusto se vira e olha de soslaio para seu amigo, que estava a observá-lo ao canto sem mostrar nenhuma reação, apenas contemplando a reação do seu amiguinho que aparentemente não ficou triste pela perda do seu brinquedo. E com um leve sorriso de tranqüilidade mostrou ao garotinho que estava tudo bem, e Augusto vendo no amigo a passividade e a falta de recriminação, por ter perdido o avião que ganhara há poucos minutos, retribuiu com um leve sorriso e se afastou em direção ao banco onde se encontrava outra folha de papel, que já tinha rabiscado algumas tartarugas e peixes palhaços, e sem nenhuma cerimônia, disse: “Faça outro!”.
         Fabio mesmo notando que aquele pedido parecia mais uma ordem, não demonstrou nenhuma oposição ao pedido do seu amiguinho, que tinha apenas seis anos, e que mesmo com sua deficiência ao caminhar, não se deixou ficar comovido ou mesmo fascinado pela vivacidade do menino, mas ficara encantado com sua alegria e completa falta de timidez, ou vergonha em ser diferente e por arrastar as pontas dos pés ao caminhar ou correr, e como corria e pulava, e era alegre.
          Com o novo aviãozinho pronto, Augusto vibrava com a facilidade com que ele podia planar, e olhando serio para o amigo, como uma forma de mostrar respeito amigo adulto, disse: “Este é bem melhor do que o outro”, e saia correndo com ele jogando para o alto, e na volta falou enquanto pulava: “Vai, joga um pouco!”, Fabio logo em seguida estava correndo de um lado esperando o amiguinho jogar o avião em sua direção para retribuir, e assim Augusto descobriu que adultos também sabem se divertirem como crianças.
        Fabio sabia que muitas pessoas desconhecem a felicidade que muitos desses deficientes físicos vivencia em seu dia a dia e que por isso em vez de demonstrar respeito e um relacionamento normal, apenas ficam na defensiva com medo de magoar. Aquela noite em que um menino deficiente, um avião de papel amassado e um sorriso de felicidade verdadeira, transformaram o jovem Fabio, ficacará em suas lembranças e aquele rosto amigo e sincero cravados como uma lição bem apreendida.

Mémorias do SARAH -- NOv/2007
Evandro Sal
Enviado por Evandro Sal em 03/12/2007
Reeditado em 03/12/2007
Código do texto: T763099

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Sobre o autor
Evandro Sal
Marcelino Vieira - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
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