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O PASTOR, A PALAVRA E O CIÚME

Como estou estupefato com as recentes notícias dos periódicos e não aguento mais saber de Renan ou dos absurdos perpetrados nas nossas diversas esferas de poder, resolvi ler outro tipo de notícia. Assim que terminei, assaltou-me a dúvida: o que são palavras?
Segundo nosso prestigiado dicionário Aurélio, “palavra é uma unidade mínima com som e significado que pode, sozinha, constituir enunciado”. Sua origem é grega (parabolé) e ao passar pelo latim virou parábola. Parábola, por sua vez, é “narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior”. Já José Saramago, em seu livro O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, (ed. Cia. Das Letras, 2ª ed), afirma serem as palavras, por si só, um grande nada, posto serem portadoras de verdades ou mentiras, não se bastando a si mesmas. Palavra ainda pode ser a “faculdade de expressar idéias por meio de sons articulados”. A palavra de Ruy Barbosa ou a palavra do Senhor. Mais ou menos como um balaio de doido, ou coisa parecida. O ciúme, por sua vez, além de ser palavra é “sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade, fazem nascer em alguém”. Sua origem está no latim “zelus” (cuidado). Tudo documentado no tal Aurélio.
Deveras confuso, isto sim. Ora se ciúme é cuidado e palavra é parábola, acredito que o certo seria termos cuidado com as parábolas.
Cuidado que um determinado Pastor da Igreja Tabernáculo em Vila Nova de Colares, no Espírito Santo, certamente não teve. Este Pastor,  “zeloso” de seu rebanho, ao interpretar trechos do Velho Testamento (Livro de Isaias) entendeu ser possível que cada homem possua sete mulheres, entre virgens e viúvas, além das outras todas, é claro. O desatino chegou a tal ponto que o servo da “palavra” resolveu colocar sua interpretação em prática, convencendo algumas de suas fiéis. Aos maridos mandava duas outras mulheres para que não ficassem sós, enquanto as esposas dormiam com ele e sua mulher na mesma cama.
Não bastasse o absurdo da situação, nosso interprete da vontade do Senhor entendeu tão defensável sua posição que deu entrevista ao Jornal “A Tribuna”. Alguns de seus seguidores debandaram, apesar de outros terem aderido à prática, achando que era tudo do espírito, não tendo havido prazer nem ciúme. Curiosamente, tudo isso aconteceu no Estado do Espírito Santo, vejam só.
E depois dizem que, biruta é aquele pano de forma arredondada que tremula nos aeroclubes do interior e  Deus é brasileiro.
Ocirema Solrac
Enviado por Ocirema Solrac em 05/12/2007
Código do texto: T765973

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Sobre o autor
Ocirema Solrac
São Roque - São Paulo - Brasil
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