QUE NINGUÉM CONFUNDA “FAKE NEWS” COM “LIBERDADE DE EXPRESSÃO”

 

“As pessoas gostam do ideal de liberdade de expressão

       até o momento em que começam a ouvir aquilo que elas

           não gostariam que dissessem a respeito delas”

                                                            (Augusto Branco)

 

   A princípio poderia até parecer desnecessário, mas, dado ao atual momento no país acho preciso, sim, que todos venham a saber o real significado e a considerável diferença entre tais conceitos: “liberdade de expressão” e “fake news”.

   Pois bem, sem querer contrariar muitos que orgulhosamente se intitulam como “patriotas”, e que muito lembram bastante o personagem "Policarpo Quaresma” do grande Lima Barreto, usarei o termo “fake news” pelo fato de estar atualmente muito mencionado. E um fato bem interessante é que muitos destes "chamados patriotas" acabam acreditando em suas próprias mentiras (por eles criadas).

 

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   Convido mais uma vez o (a) leitor (a) a um bate papo comigo, em que iremos juntos tentar compreender este “veneno” o qual maltrata o país em nossos tempos. Não tenho nenhuma pretensão de defender ou difamar nome algum. Procuro (como sempre faço) ser cauteloso no que exponho, e me apoio sempre em fatos, e jamais partindo do princípio da “simpatia” ou “antipatia” por quem quer que seja, onde evito me amparar pela “identificação” a alguém ou a alguma ideologia. A minha preocupação é estar sempre ao lado da “verdade”. Vamos lá, então!

 

 

   Gostaria de começar [aqui] fazendo uma pergunta ao (á) leitor (a):

   - Você gosta de ser enganado?

   Nest’hora eu me lembro do que muito bem colocou Santo Agostinho em seu conhecido livro “Confissões”: “Conheci muitos com desejo de enganar os outros, mas não encontrei ninguém que quisesse ser enganado”.

 

 

   Pois bem, mas a pergunta que fica é esta:

- De onde vem este prazer de querer espalhar mentiras? Sim, de onde se origina tal sombria satisfação em divulgar (até mesmo de forma obsessiva) falsidades, difamações, calúnias, fofocas, lorotas e balelas?

   Caríssimo (a) leitor (a), talvez a Antropologia venha dar a melhor resposta quanto a isto, considerando que “mentir” é algo que muitos fazem até mesmo de forma habitual e sem nenhum sentimento de culpa. E é onde abriga a perversidade no uso da palavra.

 

 

   Aliás, tomo a liberdade de dizer que, a meu ver, a partir do momento que o ser humano descobriu que pode enganar alguém, mentir é uma das coisas que mais se faz na vida! A princípio para se defender, ou para se ocultar em função d’alguma falha de caráter, ou mesmo para tentar esconder a responsabilidade de um delito. Porém, não é este o meu foco [aqui]. O ponto central deste trabalho é a respeito da propagação de “fake news” e também das chamadas “teorias da conspiração”, e, sobretudo, a frequência de como estão sendo criadas e lançadas em todo o país.

 

 

   Por estes tempos os chamados “bolsonaristas” dizem que estão sendo impedidos de usar o direito da “liberdade de expressão”, principalmente em função das decisões do Ministro Alexandre de Moraes. Mas, e então, seria mesmo “liberdade de expressão” que tais pessoas estão lutando por este “direito” ou seria, quem sabe, "outra coisa"?

 

 

   Nota: Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não sou “fã de carteirinha” de ninguém. Contudo, sei reconhecer quando uma pessoa busca executar o seu trabalho, como sei muito bem “separar as coisas”, e evitando também usar do mecanismo mental da “generalização”. Escrevo este texto dias após a decretação de soltura ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pelo STF. Isso mesmo: daquele que tinha sido condenado a mais de 390 anos de prisão por seus crimes. E pode ter certeza: estou tão indignado [com este “tapa na cara” do brasileiro] quanto você (que creio que também está revoltado).

 

 

   Mas, retornemos agora ao texto:

   Meu amigo (minha amiga), que sempre houve “fake news” e “teorias da conspiração” no Braisl (e no mundo) é uma inegável verdade, porém não tanto quanto se vê hoje, e, principalmente, dentro do campo político-ideológico. Em todo lugar são propagadas mentiras de forma dolosa e sem medir suas consequências, como a se dizer, fazendo o que se faz partindo somente da satisfação no que se realiza.

 

 

   Vejamos bem, eu já perdi a conta de quantos artistas e personalidades da Mídia tiveram suas mortes espalhadas na Internet. Na presente data deste trabalho o Pelé, por exemplo, já morreu não sei quantas vezes, como também vários cantores, atores, etc. E aí eu te faço uma pergunta: - você acha isto “legal”? Você “curte” com isto?

 

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   Meu prezado leitor (a), isto não é e nunca foi “liberdade de expressão”. O termo mais apropriado seria “libertinagem de expressão”, considerando que não segue regras, além de ser perigoso e inconsequente, dado à extrapolação da liberdade a que se faz.

    E, assim, o que o Exmo. Sr. Ministro Alexandre de Moraes faz não é nada mais que querer “cortar as asas” de tais pessoas no indevido uso da palavra (na forma criminosa a que [dela] se realiza). Ou você prefere ser enganado com tantas notícias falsas?

 

 

   E aqui eu anexo algumas fake news só a respeito das vacinas no período crítico da pandemia da COVID-19, cuja fonte é http://www.mt.gov.br: 

1- O SUS-COVID-19 é um aplicativo falso e quando instalado no celular capta todas as informações do seu aparelho.  FALSO!

2- O Governo Federal anuncia a descoberta da vacina do novo coronavírus. FALSO!

3- Beber muita água e fazer gargarejo com água morna sal e vinagre previne o contágio. FALSO!

4- Cientistas chineses dizem que coronavírus tornara a maiorias dos infectados do sexo masculino infértil. FALSO!

5- O coronavírus fica vivo por nove dias no organismo. FALSO!

6- Óleo consagrado cura coronavírus. FALSO!

7- Receita com coco cura coronavírus. FALSO!

8- Vitamina C com água e limão cura cornavírus. FALSO!

9- Usar álcool em gel nas mãos para prevenção do coronavírus altera resultado no teste do bafômetro em blitz. FALSO!

10- O novo coronavírus veio de animais domésticos. FALSO!

 

 

   Vejamos bem, num período onde as pessoas estavam angustiadas por causa deste inimigo mortal (o coronavírus), chega a ser impressionante o quanto muitos estavam se divertindo na propagação de informações falsas durante a pandemia. E muitas delas vieram de profissionais da área médica.

   Pois é! São muitos boatos e notícias falsas a que são divulgados diariamente de forma proposital, e onde a Internet é o mecanismo principal. Trata-se de algo sério o qual precisa ser “freado” e punido por quem pratica tais delitos.

 

 

   Caríssimo (a) leitor (a), darei aqui dois exemplos do que eu recebi em meu celular, os quais eu confesso que “quase” fui enganado:

 

   PRIMEIRO EXEMPLO:

 

 

   Um áudio atribuído ao padre Marcelo Rossi, tentando convencer seus fiéis a não votarem no candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, onde no presente material ele fala do risco do Brasil se tornar um país comunista, e que as igrejas serão fechadas, o aborto legalizado, etc. E era uma voz idêntica à dele, provavelmente feita a partir de recursos sofisticados de computação. Na verdade, foi um trabalho realizado pelo apóstolo Rina, um charlatão e líder da igreja evangélica Bola de Neve. Ah! meu amigo (minha amiga), eu fico de queixo caído quando descubro que tais “artes” veem dos evangélicos que se intitulam como “homens e mulheres de Deus”. Deixa quieto!  Anexo aqui o "vídeo-áudio" que o canalha deste pastor publicou no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ngcOz7-kr4U

   Nota: Quero deixar bem claro que não sou intolerante com os evangélicos (e com ninguém), mas confesso que uma raiva me assalta quando eu descubro a respeito de suas “sacanagens”. Respeito todas as denominações religiosas, todavia se alguma “aprontar” pode ter certeza de que irá ouvir de mim o que não gostará.

   Mas, o que eu quero falar desta palhaçada toda é que quem me enviou o devido “fake” tratava-se de uma amiga a qual eu tenho por ela uma grande estima. E como eu acreditei que ela teria me enviado a mensagem por ter sido enganada, busquei informá-la quanto à real veracidade da mensagem. E, vejam só como ela me respondeu:

   - Que pena! kkkkkkkk. - Da conclusão que eu tirei que ela estava se divertindo com isto.

 

   SEGUNDO EXEMPLO:

 

 

   Um primo meu me enviou uma mensagem dizendo que certa pessoa da cidade dele havia morrido horas depois de ter sido vacinado contra a COVID. Na devida postagem havia fotos de um jovem, dizendo se tratar de alguém recém formado em determinado curso universitário, e que iria se casar em breve, mas que fora vítima da "cruel vacina" no que era [por ela] alérgico. Ou seja: um conjunto de informações muito bem arquitetadas e com o intuito de causar impacto a quem recebesse aquela mensagem.

   Pois bem, infelizmente muitos não sabem que os óbitos precisam ser investigados a fim de que sejam certificados suas definidas causas. Mas, no exemplo citado, tudo surgiu a partir de uma criação e produção muito bem elaborada por alguém, diga-se de passagem. Ou noutras palavras: tudo falso.

 

 

   Tente entender: será que já não bastava o fato de que o brasileiro estava “desamparado” por um Presidente da República autocrata, debochador e negacionista quanto às medidas de proteção contra a COVID-19, e ainda tínhamos que receber mensagens falsas com relação a elas - as vacinas? É isso aí meu amigo (minha amiga), alguém se esqueceu no que ele disse que quem tomaria a vacina poderia “virar jacaré” (dentre outras coisas mais)?

   Agora, a respeito do exemplo citado, foi o fato de saber que quem me enviou sabia se tratar de um “fake news”. E isto para mim foi revoltante.

   Então, caríssimo (a) leitor (a), aproveito aqui para lhe dizer que uma das dicas para saber se é “fake news” é a de que no final das mensagens tem o anexo: “ENVIE ESTA MENSAGEM PARA TODOS OS SEUS GRUPOS DE AMIGOS E REDES SOCIAIS, TRATA-SE DE UMA INFORMAÇÃO QUE TODOS PRECISAM SABER”.

 

 

   Bom, os prosélitos e devotos do "Mito” (apoiadores de Jair Bolsonaro) anexam em suas faixas e cartazes dizendo que o que está havendo é “censura” contra eles. E chegaram a escrever inclusive um “manifesto”, onde numa de suas cláusulas está escrito: “Qualquer pessoa deve ter o seu direito de se expressar livremente, sem qualquer tipo de limites”. Oh! meu querido, este “sem qualquer limites” não dá para aceitar, não! Na época em que foi criado o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), uma das cláusulas era: “da censura prévia de música, cinema, teatro e televisão (uma obra poderia ser censurada se fosse entendida como uma subversão dos valores políticos e morais) e a censura da imprensa e de outros meios de comunicação” (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_n.%C2%BA_5).

   Bom, que tal fazermos juntos uma meditação?

   Quando foi criado em 1968 o AI-5, também havia manifestações contra o Governo nas ruas, principalmente nas grandes metrópoles, sendo que uma famosa se deu na cidade do Rio de Janeiro com mais de cem mil pessoas no dia 13 de dezembro daquele ano. Agora, faz-se preciso saber que naquele período as manifestações eram feitas contra o que se fazia na e pela Ditadura: torturas, perseguições, repressões e também à censura.

   E é aonde eu quero entrar: as censuras eram aplicadas contra artistas, jornalistas e, principalmente, escritores e intelectuais, no que eles faziam e defendiam (a se lembrar que a Ditadura era impiedosa com estes, onde muitos foram, inclusive, assassinados naquela época [pelos militares e órgãos do Governo]).

   E faz-de necessário também lembrar: os "perseguidos pela censura" daquele tempo não criavam nem escreviam “mentiras”, muito menos divulgavam. Já, nos atuais tempos (que, diga-se de passagem, as informações se fazem de maneira muito veloz) o que se protesta usando o nome “censura” é a defesa de permitir realizar “fake news” [por parte dos chamados “patriotas”] que, na verdade, envenenam a democracia com suas divulgações perversas [no evidente intuito de "desinformar" e confundir o povo].

      A diferença de um tempo com outro é grande, nem se compara: antes os protestos se faziam em nome da autêntica “liberdade expressão”, enquanto hoje o que se reivindica é uma “libertinagem de expressão“, onde se possa ter o direito de propagar “fake news”, teorias da conspiração, difamações, calúnias, etc. Definitivamente quem é sensato, não aceita.

 

 

   E aí fica aquela pergunta (ou aquelas perguntas):

   Por existem “fake news”? Qual o objetivo de quem propaga notícias e informações falsas? Qual a sua intenção, seria apenas para se divertir com as pessoas?

   E então, quer saber a resposta?

   As fake news, bem como as teorias da conspiração visam manipular o pensamento coletivo, ou, como a se dizer, “fazer a cabeça de todos”. Nenhum governo tirano chega ao poder sem tal mecanismo (de manipulação das massas), levando-se em conta de que a maioria das pessoas não julga nem raciocina (e tudo aceita, principalmente quando se acha “alucinado” por alguém). Tomo a liberdade de anexar aqui duas frases de dois personagens da Alemanha nazista:

   * “Dê-me o controle da mídia e farei de qualquer país um rebanho de porcos”. Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade” (Joseph Goebbels)

   * “As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha. (Adolf Hitler).

 

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PERGUNTAS CRUCIAIS:

 

   * Você acredita em tudo o que ouve e recebe?

   * Haveria em ti um "filtro mental" para verificar as informações recebidas, ou você deixar "passar tudo"?

 

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   * Seu "credo" quanto a elas não seria movido, na verdade, "por conveniência"?

   * Acaso você não estaria sendo "manipulado"? Raciocine bem!

   * Por que é tão fácil acreditar em "mentiras confortáveis"? Já meditou sobre isto?

 

 

   * O que te faz aceitar com tanta facilidade tais mentiras seria uma falta de julgamento ou seria mais um excesso de ingenuidade?

   * Você propaga o que recebe sem questionar as fontes?

 

 

   E aqui eu retorno à pergunta a qual fiz no início deste trabalho:

   - Você gosta de ser enganado?”.

   Abre seu olho, meu amigo, minha amiga! Abre seu olho! E cuidado com quem você acredita e apoia. Digo isto para o seu bem. Abre seu olho, então!

 

 

IMAGENS: INTERNET

 

MÚSICA: "PEGA NA MENTIRA" - ERASMO CARLOS

https://www.youtube.com/watch?v=z46-0ItuN5g

 

Estevan Hovadick
Enviado por Estevan Hovadick em 19/12/2022
Reeditado em 19/12/2022
Código do texto: T7675337
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