Cuidado, Papai Noel

Estamos tão longe da Lapônia, quanto de Papai Noel, muito embora cheios de esperanças. Mais um Natal à vista e tudo igualzinho a ontem. A diferença é que Papai Noel deve precaver-se melhor para não ter seu saco de brinquedos roubado. Afinal, assalto à mão armada e seqüestro relâmpago em Alagoas são coisas já banalizadas. Nosso cotidiano está mais indefeso e vitimado pelas ações danosas da bandidagem do que qualquer outro mal pensado. Nunca vi isso neste Estado!

Polícia Civil mal paga e com um pé na greve e outro na pouca vontade de agir. Em seus quadros muita gente despreparada e descomprometida com a segurança pública, em prol dos bicos com a segurança privada que, no frigir dos ovos, dá no mesmo e ninguém sabe o que é proteção de nada.

O que é que está faltando para se mudar a cúpula da Secretaria de Defesa Social? Que vínculo tão forte com o Estado possui o General Sá que, mesmo diante de tão assombrosa criminalidade ativa, tornou-se intocável, inabalável? Eu não consigo entender o porquê! Os frutos dessa gestão não são palatáveis.

Aqui, nesse solo pátrio onde ainda se sente o perfume forte do coronelismo político, jamais alguém de fora entenderá bem como age o crime organizado, sem que para isso disseque as filigranas dos poderes político e econômico. Irmanados, esse dois poderes reinam e são pouco traduzíveis aos comuns. Carece de um olhar especial.

Se vamos a uma missa, somos roubados. Nos plantões das delegacias de polícia vê-se a ação dos bandidos; até nos hospitais! A imagem que tenho do general Sá é de um homem pacato, calmo, pacificador. Bandido adora que isso seja assim. Quem sofre á a população. Secretário de Segurança tem que saber falar alto e ter um olhar repressor!

Continuo a sentir falta da ação dura de 2 ou 3 ex-secretários de Defesa Social que nosso Estado teve outrora. A sociedade sabia qual era o tratamento ofertado a essa bandidagem que rouba e mata tão covardemente. O povo aceitava esse tratamento como necessário à erradicação da violência. Mas hoje tudo mudou! Bandido preso em flagrante delito zomba do policial e, com o telefone celular na mão, liga para um advogado sintonizado com suas ações e recebe o habeas corpus e continua solto! Devia haver o habeas vergonha para certos profissionais que convivem com uma consciência estranha à esperada pela população.

Pois bem, Papai Noel, o Senhor deve precaver-se mais neste Natal de 2007. Não poderá chegar de trenó mas em carro blindado. As madrugadas em Alagoas estão perigosas demais, como também o é ao meio-dia. Não vá ao Palácio do Governo porque um dia desses ele foi arrombado pela polícia civil em greve; portanto, nele, não há segurança para o senhor ser recebido. Acho que o Senhor deve mesmo é descer na favela mais miserável de Maceió. É aí onde o senhor se sentirá seguro porque, afinal, ladrão não rouba onde mora e é para esses locais de difícil acesso para onde correm os miseráveis sem teto e os bandidos. Os primeiros ali não pagam impostos nem aluguel e os segundos acham o local mais propício para se esconder da repressão policial que, mesmo pífia, os incomoda.

Desça lá, Papai Noel e, ao invés de brinquedos para a criançada, traga em seu saco um secretário de Defesa Social que se lance com coragem no pântano do crime organizado e engendre um clima manso e convidativo para que nossa sociedade possa ir às ruas recebê-lo no Natal de 2008!

Não estamos podendo deitar e dormir com tranqüilidade. Ir e vir com segurança não nos pertence mais... Espero que, no luzir santo das lâmpadas natalinas, chegue-nos algum naco de esperança, com Papai Noel ou não. Em respeito às nossas crianças e aos nossos velhos, que haja uma trégua alegre neste mês de dezembro de 2007 e que nossas autoridades atravessem o ano, não ao perfume e sabor dos espumantes caros, mas a pensar como entrarem em 2008 com uma linha de ação diferente.

Acredito, e não é apenas eu quem ouço e creio nisso, mas, a maior parte da sociedade e principalmente a parcela roubada e assaltada da nossa população, que mudar o que está aí e não deu certo, seja um feito melhor do que não se fazer nada.

Feliz Natal, Papai Noel, mas cuidado, não com a chaminé quente das casas nordestinas, mas com o fogo cruzado das balas perdidas da bandidagem brasileira em ação contínua! Veja se o Senhor consegue presentear-nos com a paz da Lapônia!