Crônica dadaísta

O deputado Lira de Nero negocia o incêndio a ser produzido na cidade Roma Decadente.  Os senadores inconformados com o temperamento de Lira de Nero que é, como se sabe, um pouco explosivo protestavam veementemente. Afinal, Lira lidera um grupo chamado de Centralizadus. Grupo hegemônico e perigoso, pois, é capaz de derrubar qualquer Imperador, seja cristão ou não. Lira de Nero teve seu nome dado por seu pai que se inspirou num Imperador romano do ano 54 a 68 da era cristã. Reconhecidamente é uma das figuras históricas mais polêmicas de todos os tempos.

O nome completo do Imperador era Nero Cláudio Augusto Germânico e nasceu em Anzio (na Itália) em 15 de dezembro de 37. Só para recordar, procurando livrar-se rapidamente da culpa de ter tacado fogo em Roma, Nero acusou os cristãos. Começara assim uma das maiores perseguições aos cristãos, e desse evento, segundo a tradição católica apostólica romana, teria culminado na morte de muitos discípulos de Cristo, incluindo São Pedro e São Paulo. O comportamento do Imperador Nero está enraizado nas ambiências sociais onde viveu. Não foi o primeiro Imperador Romano a ser julgado como insano por seus atos.

A maioria das fontes sobre a vida Nero advêm dos senadores romanos, como Tácito ou da classe alta como Suetônio e Cássio Dio. Realmente, o Senado romano não perdeu tempo em declará-lo como inimigo público número um. A morte de Nero foi lamentada pelas classes mais baixas e, em menor grau, pelos militares romanos (de acordo com Tácito). Isso deu origem à lenda de Nero Redivivus, uma lenda de como Nero voltaria da morte para tomar posse do império mais uma vez.

Na verdade, houve vários indivíduos que fingiam ser Nero e começaram revoltas contra a ordem estabelecida, inclusive até vinte anos após sua morte. Lira de Nero é um político sagaz apesar de já ter meio século, é considerado um líder do grupo Centralizadus que oscila ideologicamente para todos os espectros. Afinal, o negócio é manter o poder. Versado nas letras jurídicas já fez discurso todo em latim e, naturalmente, ninguém entendeu nada. Mas, não precisava. Bastava concordar in continenti com ele que ficava tudo bem.

Recentemente, criticou a delação premiada de um ex-aliado, provavelmente, por temer complicações futuras. Apesar de aconselhar o atual Imperador para ter cuidado com os excessos... disparou sua metralhadora giratória e proferiu ataques contundentes aos três poderes, ou seria, aos três patetas? Três é um número perigoso. A fonte dessa informação nem é confiável.

A propósito, Lira de Nero não morre de amores pela imprensa romana, tanto que foi ao pretor e impetrou diversas demandas judiciais a fim de calar os "bocudos" e falastrões romanos. O atual Imperador romano afirma que Lira de Nero quer ser imperador do Japão... isso é falácia. Ele quer mesmo ser imperador de Roma... Em apenas quatorze anos de governo (entre 54 e 68), Nero perdeu o apoio do Senado, dos magistrados, da terceira mulher e, até de seu preceptor, o filósofo Sêneca.
Nero fugiu de Roma e ordenou a seus homens cavar uma fossa. Gritou: Qualis artifex pereo!  traduzido como: "que artista morre comigo!" - e se suicidou com um punhal. Artifex, no grego de Dio, pode significar 'artista' no sentido de intérprete.

Enquanto isso, na arena a céu aberto, lutas, mortes e miséria. Enfim, nada mudou. Em tempo: Nero não destruiu o império romano, ele apenas forneceu maior exposição de seus fracassos políticos e sociais. E, Lira de Nero não foge à regra.

GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/09/2023
Código do texto: T7890865
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