TÃO BONITO

TÃO BONITO

O azul começa a tomar a visão quando saio para caminhar. Piso no asfalto sem me preocupar com sua origem fóssil, afinal meus pés também estão cobertos de materiais fósseis. Escolhido o caminho sigo curtindo a brisa fresca da hora, que logo transformar-se-á num ar de air fryer. Logo começa a nevar amarelo, parece estranho, mas é o que me vem à cabeça quando diviso as pequenas flores amarelas da sibipiruna flanando pelo ar e pousando no chão, formando um tapete que evito pisar para não macular. Sigo e logo aparece um chorão com suas verdes lágrimas que diante de meus olhos são lágrimas de alegria. A seguir uma carreira de frutas, mangueiras, aceroleiras, abacateiros, bananeiras, amoreiras, plantadas aleatoriamente por alguma boa alma. Para finalizar, um angico, um flamboyan, e uma majestosa mangueira com mangas espalhadas pelo chão. Você deve estar pensando que estou em algum lugar meio ermo, pelo contrário, estou margeando a Via Dutra, num espaço de mais ou menos 1 km. A única coisa que fere a beleza e a singeleza do caminhar é o ruído incessante dos motores apagando o som dos passarinhos. A rodovia, embora ainda seja muito cedo, tem trânsito ininterrupto, fruto do progresso. Pena que não possam parar um pouquinho e desfrutar da dádiva tão natural e dominical, afinal o sétimo dia já foi destinado ao descanso.

Arnaldo Ferreira
Enviado por Arnaldo Ferreira em 17/12/2023
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