Mãe

Em uma choupana onde vivia o lavrador , casinha simples sem luxos e com poucos recursos , uma mulher tenta dar à luz , já cansada da sua lida diária , da rotina interminável de trabalho Joana tem a morte como certa ...

Sua mãe já lhe dizia ... Filha muitas mulheres morrem de parto ... E por que com ela seria diferente? O plano era morrer ... Melhor morrer do que colocar mais uma criança no mundo para dividir a fome ... Fome essa assustadora vilã que corrói a consciência .

Sozinha Joana pensava ... Mais uma mulher que morre ... Mais uma anônima, que ninguém irá lembrar ou buscar conhecer ... E o que importa ...

Deixa que no suspiro da derradeira força, eis que ela sente algo escurecer sua visão e como que a pressão de uma mão na nuca ela escuta:

- A criança precisa nascer!

E como que por obediência e fé ela coloca as últimas forças e a criança chora fora do corpo da mãe que desfalece .

A vida nunca foi fácil , nascer já exige esforço e um pouco de sofrimento, contudo, lembrar da fortaleza que foi minha mãe me enche de orgulho . Tão jovem ... Tão inexperiente ... Tão criança carregando já outras crianças nos braços...

A vida segue seus rumos e depois de anos eu me deparo com outra mãe que carrega o filho morto nos braços , uma mãe que clama a condição de tantas outras mulheres , mas essa mulher é vigem , mas também é mãe ...

Uma mulher menina , uma menina mulher , uma mulher divina e uma divina mulher , em cada canto do rosto a expressão do sofrimento que deixou suas marcar , mas nunca roubou sua fé !

A fé por dias mais justos , a fé por trás da aflição que em suas mãos recebe com ternura o filho que um dia carregou no ventre , a luz que um dia iluminou o mundo permanece nos braços de quem o recebeu .

No colo da mãe um corpo silencia, e lá poderia ser eu ... Nos braços de quem muito me amou , e quem de mim cuidou , nos braços de quem me acolheu e na mesma hora me veio a lembrança e se fosse ao contrário .Se o filho carregasse o corpo da mãe e se nos braços afagasse a quem muito um dia lhe afagou.

A mãe da humanidade retratada na sua humanidade , vestida de sol carregando no colo a luz do mundo que a ambição silenciou temporariamente .

Na gloria o rei eterno e imortal vive !

Homenagem a todas as mães ancestrais, o meu respeito e a minha profunda gratidão!

Thércia Lucena G. Maranhão