Despertar de sentidos

“Que belo horizonte!” constatou o Papa João Paulo II, diante do suntuoso cenário divisado do alto do bairro Mangabeiras. A cidade tem hoje muito mais que lindos horizontes cercados por montanhas, cachoeiras nas imediações ou o complexo arquitetônico da Lagoa da Pampulha. Ricardo Freire, jornalista que dá dicas de viagens na Época, incluiu, no artigo desta semana, Belo Horizonte entre quatro opções de viagens nacionais para quem quer evitar os pacotes tradicionais das operadoras de turismo. Ele nomeia o Museu de Arte Contemporânea de Inhotim, “um dos mais badalados do mundo no momento”.

A uma hora da cidade, o centro de arte é um bálsamo para corpo e espírito, um local encantado onde arte e natureza convivem intimamente. Trinta e cinco hectares de jardins bem cuidados, parte deles criada por Burle Marx, abrigam galerias com acervo de artistas como Amílcar de Castro, Tunga, Cildo Meireles, Dan Graham. A organização e o cuidado com o visitante transparecem em detalhes sutis como a oferta de guarda-chuvas em dias nublados ou a presença do spray desodorizante discretamente posicionado na antecâmara onde os calçados devem ser retirados antes de entrar na sala do Vermelho.

Ao chegarmos, a harmonia e a quietude dos jardins e lago, junto à música de uma das instalações de Cildo Meireles nos envolveu e fez crer, por instantes, que chegamos ao Céu. Tamanha beleza confunde o sentido de temporalidade: quando percebemos, haviam se passado cinco horas de puro deleite tátil, auditivo e visual.

Há ainda obras expostas ao ar livre, aconchegantes e confortáveis recantos para apreciação da natureza, lanchonete, restaurante e bar. Em horários pré-determinados, Inhotim oferece visitas temáticas com duração de uma hora, mas foi muito interessante descobrir as atrações por nós mesmos. Arte-educadores espalhados estrategicamente por todo o centro artístico responderam, com simpatia, às nossas dúvidas. É preciso estar com sapatos fechados, para apreciar a instalação Transparências, cujo piso é feito de cacos de vidro temperado. Atente às rachaduras da antesala com uma catraca que literalmente movimenta as paredes do museu, numa alusão à desconstrução da arte contemporânea e à caixa de câmbio da Ferrari nos três fuscas coloridos expostos num dos jardins.

Com três dos sentidos despertos, é hora de cuidar do olfato e paladar. De volta a Belo Horizonte, visite o bairro de Santa Tereza, berçário do Clube da Esquina, onde músicos como Milton Nascimento, Toninho Horta, Beto Guedes se reuniam para tocar violão. Além do casario antigo e ares de cidade do interior, há bares e restaurantes ótimos na região. Pizzas e empanadas deliciosas são as das duas casas da Pizza Sur – Anchieta e Praça da Liberdade.

“Uma viagem perfeita para fins de semana ou feriados, quando as diárias caem e os botecos da cidade estão muvucados” escreveu Ricardo Freire.

Para organizar a viagem, é preciso ativar o sexto sentido : não venha de avião. Em outra reportagem da mesma edição da Época, documentos da Aeronáutica mostram que o risco de desastre aéreo não diminuiu... e o aeroporto de Confins é longe demais da conta, uai!

Maria Paula Alvim
Enviado por Maria Paula Alvim em 27/01/2008
Reeditado em 28/01/2008
Código do texto: T835366
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