A NATUREZA & EU

A NATUREZA & EU

 

(Reflexão pessoal)


 

Na caminhada pela vida afora, tenho dado preferência ao convívio com a natureza - plantas e animais, incluindo aí meus semelhantes. Não faço isto por falta de conhecimento em outras áreas ou por simples observação do que se passa ao meu redor. Na verdade, este tema – a natureza – é o que menos estudei nos bancos escolares. Lá aprendi mais sobre Economia,  Matemática, Política, Finanças Públicas, Contabilidade, Direito. Aqueles conhecimentos adquiridos serviram para que eu me sentisse preparada para enfrentar o mercado de trabalho convencional e, em algumas oportunidades, conseguisse me sair bem em busca de um bom emprego público. Depois serviram para conter os meus ímpetos meramente consumistas e garantir estabilidade profissional e pessoal, conforto e oportunidades de lazer. Assim é que comprei e paguei até o último centavo o longo financiamento da minha casa, bem como as prestações dos consórcios de dois fuscas (como eram cheirosos os fuscas zero!). E para completar, a cada onze meses de trabalho árduo correspondia um mês de férias ora em uma, ora em outra praia, girando de um lado para outro para ficar tostadinha assim como ficam os frangos da sadia na televisão de cachorro. Santa ignorância!   

Para nada serviria tudo isso se eu não tivesse aprendido algo mais nas entrelinhas dos livros e apostilas, nas palavras dos professores, nas trocas de informações e conhecimentos com os colegas, amigos, familiares e pessoas estranhas com as quais o destino me fez encontrar.

A viagem seria infrutífera se não houvesse objetivos pessoais bem definidos, ambições profissionais comedidas, valores morais rígidos herdados da minha família de imigrantes árabes, apoio de algumas pessoas presentes à beira do caminho nos momentos críticos, esperança, atenção, otimismo e um mínimo de bom senso.

Não teria tido nenhum sentido percorrer essa longa distância, se não me motivasse oferecer aos que me davam a mão resultados, que os convencesse de que fizeram algo útil; aos que de  mim dependiam: segurança e perspectivas menos árduas. As etapas formatadas em degraus deveriam ser cumpridas uma por vez; as retas eram para descansar e avaliar os resultados após o esforço da subida; nas descidas, era possível andar mais rápido - às vezes até correr – desde que fosse possível atentar para o ponto - lá embaixo - onde começava a nova escalada para o alto. As curvas? Ah, essas eram para desacelerar o passo diante do desconhecido, até sentir-me segura novamente...na reta.

Novamente de nada tudo isso serviria se não existissem pessoas para conquistar e amar com afagos e cuidados; para crescer sob a minha proteção e no final do caminho reconhecer, com ou sem aplausos, que consegui lhes dar o melhor que aprendi ou que pude.

 

De nada me adiantaria chegar, se eu não soubesse amar,

Se eu pisoteasse meu semelhante por distração ou quando ele caísse,

Se eu não tivesse aprendido a me colocar no seu lugar antes de avançar sobre seus sentimentos,

Se eu invejasse suas conquistas com o esforço próprio,

Se eu risse das suas derrotas desejando-lhe mais azar.

 

Aprendi que pássaros e cães avisam sobre suas necessidades,

Que passado pobre de matéria é futuro enriquecido de valores,

Que mordomia nem sempre é luxo; se conquistada pelo trabalho, é um bem;

Que podemos ter, sem medo e sem culpas, os amores que desejarmos...(não significa que erramos - são acertos temporários).

 

Não falo do passado como se a caminhada terminasse aqui, como se eu já estivesse me retirando... Ao contrário, agora que cheguei ao final das conquistas básicas, sinto-me preparada para começar uma nova peregrinação pela vida. Não mais necessito entrar em disputa por um lugar ao sol – ele está ali à disposição entre os galhos das árvores do meu jardim. Agora posso sentir satisfação com as humildes conquistas materiais – já estão de bom tamanho: cabem perfeitamente bem dentro do meu coração; posso abdicar das vaidades e dos elogios pelos acertos e das puxadas de orelhas pelos desacertos. Errarei menos porque andarei mais devagar (de sapatos baixos).

 

Meus planos?
Aperfeiçoarei todos os dias o meu jeito de amar;

Compreenderei a diferença entre um e outro piar dos pássaros;

Hei de entender tudo o que falam as plantas do meu jardim;

Desenvolverei ações capazes de convencer meus semelhantes a prestarem mais atenção à beleza e ao perfume de um jasmim,

e a crerem que o nosso “depois” será, um dia, um novo “antes”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sandra Fayad Bsb
Enviado por Sandra Fayad Bsb em 19/02/2008
Reeditado em 14/06/2016
Código do texto: T866414
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