Crônica de uma noite de quinta-feira admirável

De Edson Gonçalves Ferreira

Para Maria José Santos Guimarães (aniversariante)

Quem passou correndo, agorinha mesmo, foi o Coelho Maluco gritando: _Estou com pressa... estou com pressa.... Fiquei sem entender. O Chapeleiro olhou para mim de banda e perguntou: _ Você não sabe por quê? Fiquei tontinho e disse que não. A Rainha de

Copas, que chegava, decretou: _ Hoje, é aniversário da Maria José e você nem ligou para ela. Cortem a cabeça dele, cortem!... Pus a mão na cabeça e resmunguei, vão caçar serviço porque eu falei com ela agora. Toda a tropa da família Santos está na casa dela se fartando com biscoitos e eu estou aqui, seco, seco, seco.

Na mesma hora, escutei um barulho dentro de casa. Fui olhar e vi que a fada Sininho chegava. Veio me convidar para voar com a ajuda do pozinho que ela joga na gente. Peter Pan também chegou. Então, fiquei preocupado e falei com eles para tomarem cuidado, porque com tanta cocaína por aí, se alguém não conhecer o mundo da fantasia, vai achar que eles estão usando é droga. Peter Pan abriu aquele sorriso divino e me disse que, quando a gente sonha, não precisa dessas coisas abomináveis.

Ouvindo-o, pensei nas Santanas, ontem, à noite, enquanto a gente gravava no Stúdio Gonçalves Ferreira que, na verdade, é somente o meu escritório. Lúcia, Reigila e Adriane chegam com os violões. Começamos a passar as músicas e, depois, vamos gravar. Às vezes, basta uma relembrança e, logo em seguida, voamos com a música. Por isso, a fada Sininho que acabou de sair, disse-me: __ Poeta não precisa do meu pó mágico. Voa com as palavras. Peter Pan retrucou: _ Também, vou me embora. Você está tão jovem quanto eu. Você não precisa nem de ir para a Terra do Nunca. Já vive na terra do nunca das palavras. Agradeci. Foi um baita elogio.

Hoje, contudo, é aniversário da Maria José que, inclusive, já foi minha professora de Português. Ela já está nos entas da vida, mas nada mais de mil metros toda manhã. Eu só nado assim nas letras. Talvez noutras coisitas mais. Estou num aperto... Com mais pressa que o Coelho Maluco. Celina Figueiredo me pediu para gravar o Magnificat. Tenho que estudar. Pedido dela é ordem. Hoje, só cantei “Flor mimosa”, uma cantiga cristã que, segundo dizem, foi composta entre o século VI ao XII.

Quem ler esta crônica que escute a "Flor Mimosa" seja nos meus áudios no www.recantodasletras.com.br ou, então, procure uma gravação mais aprimorada nas lojas. Falando em música, adoro conversar com a Cléria Pereira de Almeida. Ela é a menina das mãos de fadas. Quando ela nos convida para casa dela, a gente fica mais mimado que Narizinho, de Monteiro Lobato. Eu tenho vontade de ser como a Emília e pedir para ela fazer trufas, trufas e mais trufas. É bão demais. Além de ela ser um doce e casada com o Zé que, também, é um doce, ainda faz trufas e comidas deliciosérrimas, pode? Mas, até logo, estou com pressa, porque amanhã tenho que trabalhar, assim sendo, até logo, minha gente, até. Só para terminar, parabéns, Maria José, parabéns!

Divinópolis, 13.03.08

edson gonçalves ferreira
Enviado por edson gonçalves ferreira em 13/03/2008
Reeditado em 14/03/2008
Código do texto: T899865
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