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SERGUEI

SAQUAREMA, SERGUEI E CAPITAL INICIAL

Nelson Marzullo Tangerini

               Meu amigo Ademar me fez inúmeros convites para ir a Saquarema e visitar Serguei, figura mítica do rock brasileiro.
               Nunca podia ir. Quando não estava ocupado com provas e trabalhos de meus alunos, tinha de viajar para São Paulo, onde meu pai, Nestor Tangerini, seria homenageado.
               No dia 11, porém, ele tornou a me convidar. Acho que já andava até meio aborrecido comigo, embora ande sempre sorridente e de bem com a vida.
               Havia, naquela cidade litorânea do Estado do Rio de Janeiro, um show da banda Capital Inicial. Ele estava interessado em ver a apresentação da banda. E insistia que eu fosse.
               Fiz a mala e engatilhei a máquina fotográfica. Há muito queria fotografar Serguei, aquele roqueiro brasileiro que conheceu pessoalmente um dos ícones da década de 60: ninguém nada menos que Janis Joplin.
               Saímos do Rio, de carro, por volta das 9 horas. Dia quente, sol das arábias...
               Conheci Serguei em 1970, dentro de um ônibus, em Botafogo. Era dia 2 de novembro. Vinha do cemitério com minha mãe e meu avô. Sei que é uma data um tanto “sinistra”, mas era mesmo Dia dos Mortos. Era um dia triste, estávamos tristes, mas Serguei irradiava alegria, inteligência e irreverência. Percebi que estava anos a frente de todos nós. Porque, como já disse Mike Jagger, “O rock foi a forma mais santa que a juventude escolheu para desobedecer ao estabelecido”. Ele usava uma sandália da moda, que só prendia os dedões e se mantinha firme, atada às canelas, à altura dos calcanhares.
               Depois o vi inúmeras vezes na televisão.
               Ademar e eu atravessamos a ponte Rio-Niterói conversando e almoçamos já perto de Saquarema.
               Deixamos toda a bagagem e saímos para “rodar” pela cidade. Paramos em frente a Casa do Rock, como é a conhecida a casa de Serguei.
               Batemos. Ele apareceu na janela e pediu um tempo, pois estava almoçando.
               Ademar e eu fomos dar uma volta. Visitamos uma amiga minha já idosa. Depois voltamos. E, ao voltarmos, nos deparamos com uma surpresa: o Capital Inicial visitava a casa de Serguei e eu pude fazer uma foto inédita deles todos juntos: Serguei e a banda, que tocaria à noite.
               Como todo bom roqueiro, Serguei nos recebeu com uma camisa dos quatro rapazes de Liverpool.
               A Casa do Rock é uma memória viva do rock´n ´roll do passado e de agora. Há fotos de roqueiros de todos os tempos em todas as paredes. Ali, temos a sensação de que o rock continua rolando. And forever rock will roll.
                Inúmeras pessoas já passaram por lá. Inúmeras ainda passarão. E todas assinarão um livro de presença, que já tem mais de 3.000 nomes.
                Há uma infinidade de livros, fitas, discos, cds, fotos, frases, autógrafos.
                A foto mais procurada e vista por todos é a de Serguei com Janis Joplin.
                Há, no jardim da casa do rock, o famoso símbolo Paz e Amor da década de 60. Há, também, uma caixa de correio típica dos EUA e uma bandeira sulista.
                Acompanhado de seus cães, que tirou das ruas, – um deles Samantha, com quem rolei na grama -, Serguei mora ali, alimentando o sonho de muitos que ainda acreditam na redenção intelectual da Humanidade.
                Sobre “o sonho”, Raul Seixas, o nosso Maluco Beleza, nos disse um dia: “Sonho que se sonha só / é só um sonho que se sonha só / mas sonho que se sonha junto é realidade”.
                John Lennon, libertário, um dos rapazes de Liverpool, nos deixaria esta frase colhida da mozartiana e belíssima Imagine: “Vocês devem dizer que sou um sonhador / mas eu não sou o único / Espero que um dia você se junte a nós / e o mundo será como um só”.
                À noite, Ademar e eu fomos ao magnífico show do Capital Incicial, apresentado por Serguei, que lhes deu as boas vidas. Era um show aberto ao público, que, animado, superlotou as ruas de Saquarema.
                Enfim, “pedras que rolam não criam limo”.

Nelson Marzullo Tangerini, 52 anos, é escritor, compositor, fotógrafo, jornalista e porfessor de Língua Portuguesa e Literatura. Acadêmico, ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini do Clube dos Escritores Piracicaba.

               
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 16/03/2008
Código do texto: T904075
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24109 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/19 12:05)
Nelson Marzullo Tangerini