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CINEMA, NITERÓI, 1928

CINEMA...

Nelson Marzullo Tangerini

                   Meu amigo Luiz Antônio Pimentel, poeta [mestre na arte de fazer Haikais], jornalista, memorialista, escritor, pesquisador, membro da Academia Niteroiense de Letras, 96 anos, tem uma memória privilegiada e prodigiosa.
                   Conversava com ele em 2007 [já não me lembro mais o dia e o mês] e ele me passava uma poesia inteira de meu pai, publicada numa revista do Cine-Teatro Éden, propriedade do também poeta Oscar Mangeon. Poesia esta, que não constava no arquivo de nossa família.
                   Ei-la:

“Cinema, sala de espera.
música, flores, elite.
e tudo o que a mente gera
de nobre e fino apetite.

No momento se permite
 reunião austera e chique.
Entra uma dama elegante
com a criança, galante.

Brincando, graceja e ri.
Nisso, o guri alto fal;
O riso trazendo à sala:
Eu quelo fazer pipi”

                   Anotava num caderno os versos de meu pai, Nestor Tangerini, enquanto Pimentel recitava, com muita clareza, os versos que damos o nome de “Cinema...”, por não haver qualquer exemplar deste número da revista.
                   Aliás, as revistas do Cine-Teatro Éden parecem estar perdidas para sempre. Guardo uma delas, com poesias da Roda do Café Paris. Estão ali Oscar Mangeon, Lili Leitão, Apollo Martins, Mazzini Rubano, René Medeiros, Olavo Bastos, Nestor Tangerini, Mayrink, Gomes Filho, Varon, Luiz de Gonzaga, entre outros.
                   Na revista que tenho, de 1928, arquivo de nossa família, há um belo soneto do empresário Oscar Mageon, que muitas vezes montou peças dos teatrólogos Nestor Tangerini e Lili Leitão.
                   Vamos homenagear Mangeon, publicando um de seus sonetos:
PARADOXO

Como esta vida é atroz! Como esta vida
(Efêmero momento da existência)
Pôde criar, na sua própria essência,
Um paradoxo – o Amor... Desconhecida

A criatura de si, na inconsciência,
Sente a delícia suave, indefinida,
Indefinidamente repetida
Na tortura do gozo... na demência...

E o Amor – um infinito de desejos,
Vive na Dor, sorrindo encarcerado
No cárcere de um círculo de beijos...

E a vida esvai-se... O lábio ressecado
Busca outro lábio, em lânguidos adejos,
Na virtude, que existe no Pecado!

                   Esta crônica é dedicada a meu grande amigo Luiz Antônio Pimentel, que tantas vezes me deu atenção, passando-me informações preciosas sobre meu pai e a Roda do Café Paris.
                   Muito agradecido, Pimentel!

Nelson Marzullo Tangerini, 52 anos, é escritor, jornalista, poeta, fotógrafo, compositor e professor de Língua Portuguesa e Literatura. É membro do Clube dos Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini.
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 14/04/2008
Código do texto: T945907
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24136 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/19 01:39)
Nelson Marzullo Tangerini