A Menina e a Mulher.

Andei com uma menina à minha frente por muito tempo. Não me refiro à minha filha, mas àquela menina que mora em mim e que foi tão magoada.

A mulher dizia proteger a menina da dor, do abandono, da desilusão. Mas na verdade era a menina que agia e não a mulher.

Não era um ato de covardia. A menina era eu mesma: uma mulher feita. Um mulherão, amando e sofrendo como uma menina.

De uns tempos para cá pensei ter esquecido a menina. Será que amadureci e não preciso mais da dela?

A prícípio me senti feliz. Depois me preocupei.

O que fiz da menina?

Ah, meu Deus, será que para me tornar madura eu tive que matar a menina? Não! Definitivamente não! Eu não mato ninguém, quanto mais a menina que morava em mim.

Então recebi um lembrete de um amigo dizendo para eu dar sempre a mão à menina. Que alegria, você me deu, menino! Você viu a menina que eu achava ter perdido.

A partir daí percebi que ela estava aqui bem pertinho. Agora de mãos dadas enfrentaremos o mundo. Prometo protegê-la do que possa magoá-la. E serei eu, a mulher madura, a conduzi-la.

Evitarei certos constrangimentos para uma menininha. Mas não a largarei mais. Daremos boas risadas, faremos palhaçadas, algumas aventuras seguras e a ninarei com afeto.

Obrigada, meu querido, por me trazer de volta a menina. Cuide bem de sua criança interior também!

Beijos meus e dela.

Evelyne Furtado
Enviado por Evelyne Furtado em 14/05/2008
Reeditado em 16/12/2009
Código do texto: T989982
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