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THOMAS EDISON - SEU DISCURSO

Mensagem do cientista Edison
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" Ideei alguns desses brinquedos elétricos que os humanos , eternas crianças , chamam pomposamente " Grandes Inventos " .

Não me envergonho - é preciso fazer alguma coisa para passar o tempo e pôr em uso aquela pequena astúcia do cérebro que nos incomoda quando não é aplicada .

Por outro lado , alguns desses brinquedos , sob o ponto de vista prático , podem ser úteis à vida comum , fixar os sons num disco , ampliar vozes , aperfeiçoar lâmpadas elétricas ou o rádio , mas não significa aumentar a felicidade nem aproxima-nos dos segundos do Universo .

Agora que estou velho , verifico que consagrei toda a minha vida a coisas de pouca importância .

Quando vejo os homens de hoje que se entusiasmam com a velocidade de seus aparelhos , não posso deixar de rir .

Os aviões com seus trezentos quilômetros à hora são , comparados com a velocidade da luz , lesmas .

Quando eu era novo imaginava , nesciamente , que a vida consistia nas máquinas .

Construí algumas máquinas felizes e continuamos no mesmo .

Mais de meio século de cálculos , de investigações , de vigílias , de tentativas para chegar a introduzir no comércio bagatelas cômodas ou ruidosas ....

Confesso que o homem de rua é uma criatura extraordinariamente indulgente e otimista .

Os ignorantes têm a necessidade de iludir-se , os operários de trabalhar e os industriais de ganhar dinheiro .

Sinto o céu como coisa estranha , remota , inimiga .

Os Cometas que arrastam sua cauda pelo infinito , sem um objetivo razoável , nada me dizem que me console .

As nebulosas , amontoados confusos de poeira cósmica , exasperam-me como todas as coisas informes e não acabadas .

No que diz respeito a planetas e aos satélites aduladores extintos que dão voltas para obter a esmola de um poço de luz , causam-me repugnância e desprezo .

Não compreendo os astrônomos : como é que nenhum deles fica doido nem se suicida ?

Imagino que são homens sem fantasia , incapazes de sentir o insulto permanente das constelações refugiadas no fundo dos desertos do espaço , medindo e calculando , iludem-se talvez pensando que dominam o céu ou , ao menos , que são admitidos como hóspedes .

Mas um homem autêntico não pode experimentar , ante a voragem esparsa dos fogos errantes , senão ira ou temor .

O céu tem influência sobre mim e nunca a poderei ter sobre ele .

Se o contemplo , amesquinha-me .

Se o ignoro , castiga-me .

Tem uma vida sua , misteriosa e solene que não consigo , de forma alguma , turvar ou mudar e inspira-me , contra minha vontade , pensamentos mortificantes que me maltratam , me deprimem e me tiram coragem de viver .

Por isso , prefiro não o ver .

Agradam-me as regiões e as estações do ano em que o céu está sempre encoberto , onde a noite é muda e total e nos sentimos , sob a colcha próxima de névoa , familiar

Invejo os habitantes de Vênus porque , ao que se diz , o seu planeta está quase sempre envolto em vapores e é-lhes impedida a visão do irritante lucilar das inúteis constelações e daquela odiosa Via-Láctea que atravessa o firmamento como fumarada de embuste fosforescente .

Os poetas , idiotas como crianças , extasiam-se diante dos vaga-lumes errantes do infinito .

Para mim que , por fortuna ou por desgraça , não sou versificador nem místico , o céu é apenas o velório sinistro onde leio todas as noites a sentença da minha irremediável nulidade . """
Valdemar Ribeiro e Thomaz Edison
Enviado por Valdemar Ribeiro em 24/06/2005
Reeditado em 08/11/2018
Código do texto: T27240
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Valdemar Ribeiro
Lubango - Huíla - Angola
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7 e-livros (1142 leituras)
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Valdemar Ribeiro

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