FORMEI, E AGORA?

Todos os anos, milhares de jovens concluem o curso universitário e são lançados no mercado com um diploma na mão, um sonho na cabeça e um desafio para vencer: a falta de experiência.

A formação acadêmica, que poderia ser um diferencial no competitivo mercado de trabalho, perdeu lugar para a experiência profissional, essa sim, considerada requisito indispensável.

Existem duas vertentes que precisam ser analisadas nesse caso. De um lado está a empresa que enfrenta forte concorrência e precisa de competitividade para sobreviver no complexo mundo empresarial. Do outro lado, está o recém-formado profissional. O fato de haver concluído um curso superior não é garantia de capacidade e nem estímulo para que alguém acredite e invista no seu potencial.

As empresas buscam agregar valor aos seus produtos e lutam contra o tempo e contra o custo e em razão disso, dão preferência aos profissionais mais experientes porque o retorno é mais rápido e o custo de atualização tende a ser menor em função dos conhecimentos anteriores que apenas precisam ser reciclados. Enfrentam aí o dilema de contratar pessoas mais velhas, nem sempre motivadas e muitas vezes acomodadas com a proximidade de uma aposentadoria e ainda convivem com a rotatividade de pessoal, nem sempre salutar.

Nossos jovens, recém saídos da faculdade também precisam investir em si próprios, precisam estar ligados nos efeitos da globalização que tornam conhecimentos obsoletos num piscar de olhos e lançam constantemente no mercado novas ideias, novas tecnologias, novas alternativas. Esses profissionais, neófitos, precisam estar com seus currículos atualizados e enriquecidos com os últimos lançamentos, transmitindo a nítida impressão de que vale a pena investir neles, candidatos.

Precisam saber escrever corretamente; saber falar, não há necessidade de ser um orador, apenas dominar a língua pátria; ter, no mínimo, conhecimento básico, dos dois idiomas estrangeiros mais usados no Brasil, o inglês e o espanhol; ter desenvoltura, iniciativa; elaborar um currículo que espelhe a sua realidade, distribuir esse currículo e estar pronto para atender as exigências dos cargos que lhe forem oferecidos.

Muitos dos nossos jovens sentem-se inseguros quando chamados a deixar a cidade natal para buscar novos horizontes. Isso é natural, mas é um receio que precisa ser vencido. As portas abertas podem estar na cidade vizinha, podem estar na capital do estado, mas podem também estar em Roraima ou no Amapá, considerando-se que estamos no estado de São Paulo.

Você, jovem recém-formado, já pensou em aventurar-se em algum lugar distante? A disponibilidade para mudar-se para outros estados, principalmente das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, tem auxiliado inúmeras pessoas a conseguirem a tão sonhada experiência profissional. A grande maioria não pensa mais em voltar, porque não foi difícil se adaptar às novas condições de vida, no início experimentadas com algum receio, e hoje, a insegurança inicial se transformou em certeza de uma carreira brilhante.

Outra realidade a se considerar é que muitas empresas, em vez de recrutar talentos novos, preferem contratar profissionais treinados por outras empresas que investiram na especialização do recém-formado. Assim, o ônus é compensado pela certeza de estar contratando um profissional do qual já se conhece o perfil e que, muitas vezes, saiu para conquistar a estabilidade profissional fora da sua cidade.

Existem também empresas que, ao contratar o recém-formado, exigem sua permanência por um período mínimo determinado, como forma de compensar o investimento que vai realizar. Esse tipo de contrato prevê, inclusive, multa pelo não-cumprimento do prazo.

Estas são apenas algumas considerações, o importante é que os jovens talentos colocados todos os anos no mercado possam ser valorizados através de um voto de confiança, pois o Brasil de amanhã depende daquilo que eles construírem.