DISCURSO DO LANÇAMENTO DO LIVRO O CAMINHO NÃO PERCORRIDO

Comentários no link do blog: http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2013/11/discurso-do-lancamento-do-livro-o.html

Excelentíssima senhora diretora da Editora da Fundação Universidade do Amazonas, Suely Oliveira Moraes Marques, nestra da UFAM; neste ato representando a Magnífica Reitora da UFAM, A Excelentíssima Senhora assistente social Dra. Márcia Perales Mendes Silva excelentíssima senhora e ex-diretora da Editora da Universidade Federal do Amazonas, Iraildes Caldas Torres, professora doutora da UFAM e iniciando em Paris seu pós-doutoramento, por isso não compõe a mesa, excelentíssimo Dr. Djalma Almeida, MD Juiz do Tribunal Regional do Trabalho, excelentíssimo senhor deputado estadual Luiz Castro, nas pessoas de quem cumprimento todos os membros da mesa, escritores que também lançam suas obras, amigos, convidados e presentes nesta solenidade de lançamento do livro “O CAMINHO NÃO PERCORRIDO”:

Minhas Senhoras,

Meus Senhores:

Todo discurso tem começo, meio e fim e o meu será assim.

Tenho muito a agradecer e nada a pedir. Inicialmente agradeço aos meus pais biológicos Paulo e Josefa Costa, aos meus “pais adotivos”, Dulce e Teomário Costa, a Deus e todos os amigos do passado e do presente que me ajudaram a concretizar esse sonho que parecia impossível.

Mas nada é impossível quando se sonha porque todo sonho que se sonha junto, se transforma em realidade.

Em uma turma de 36 mulheres e apenas 4 homens no Curso de Serviço de Serviço Social, em 1995, me senti incomodado. Mas não foi totalmente esse incômodo que me fez produzir um TCC tão ambicioso, como explorar a razão homens não queriam cursar serviço social, o que influiu na decisão de explorar esse tema. No ano de 1995, acompanhei divulgações de um cidadão gaúcho defendendo a independência do Rio Grande do Sul do restante do Brasil, e uma das justificativas era de que a Amazônia era um “apêndice econômico para um país”. Pronto: cruzei essa idéia nazista, xenofóbica e ridícula com dados históricos e descobri que durante o período áureo da borracha, o Amazonas já havia quitado sozinho, mais de 40% da dívida externa brasileira em libra esterlina. Estava concluído o objeto de meu TCC.

Apresentei o projeto à professora orientadora Iraíldes Gonzaga Torres e ela me questionou: “você vai conseguir fazer tudo isso a que se propõe?”. Essa resposta lhe foi sendo dada quando quase toda semana lhe entregava um capítulo pronto!

Lia tudo e dizia: “nada a mudar. Está ótimo!”

Com a motivação de minha orientadora, mergulhei nos livros e pesquisei mais ainda, até que no final, na defesa do projeto, recebi a nota máxima. Não tinha desejo de transformá-lo em livro, mas circulei com a obra encadernada embaixo do braço por vários dias, mostrando às pessoas e pedindo suas opiniões. Um dia, encontrei a Dra. Ivete Ivo Barros e lhe mostrei. Ela ficou com tudo e quando voltei para pegá-lo, me perguntou: “você não pretende publicar isso? Eu lhe ajudarei, buscarei patrocínio!” Confesso que não era meu desejo porque já tinha deixado exemplares de meu trabalho no departamento e na biblioteca do Curso para consultas futuras, além do mais, não teria dinheiro para bancar a publicação. Com a ajuda da Dra. Ivete, do Dr. Raimundo Quirino e do médico e empresário Francisco Garcia Rodrigues, proprietário da Concessionária, decidiu custear a primeira edição do livro O CAMINHO NÃO PERCORRIDO – A trajetória dos assistentes sociais masculinos em Manaus, pela Imprensa Oficial, em 1995, mesmo ano em que me formei. Agradeço também ao sociólogo Mário Jorge Correa, que prefaciou a primeira edição da obra e que fiz questão de permanecer com ela nessa nova edição reescrita, ampliada e revisada pela Editora da UFAM. A todos, meu muito obrigado de coração!

Meu modesto e despretensioso trabalho monográfico cresceu, colocaram fermento em seu interior e alcançou outros horizontes: o livro foi citado em várias outras obras científicas, sendo uma das mais importantes no livro A ASSISTÊNCIA SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE, da teórica social nacional Marilda Iamamoto. Na sua obra, além de constar na bibliografia, ela fez questão de colocar nota de rodapé dizendo ser o primeiro livro analisando o universo masculino que lera. Depois disso, o livro esgotou e 17 anos depois, alcança esse significativo momento para mim, motivo pelo qual mais uma vez agradeço o empenho de todos que se envolveram direta ou indiretamente na conclusão desse projeto, desde a pessoa que fez a capa até aos gráficos que o imprimiram, porque sem eles, nada seria possível.

A maioria aqui presente deve saber que passei por onze cirurgias no cérebro desde 2006, vítima de empiema cerebral e duas infecções hospitalares, fiquei dez dias em coma, 45 sem memória total e mais 15 sem fala, sofri derrame, trombose e aos médicos que me acompanharam até os dias de hoje, meus sinceros agradecimentos. Mas não faria justiça nesse momento se não mencionasse o nome de meu neurologista, Dr. Dante Luis Garcia Rivera, dos muitos, em Manaus e em São Paulo, que me atenderam. Por isso não os nominarei! Durante todo esse difícil processo, tive sempre o apoio do administrador de empresas Dr. FRANCISCO SALDANHA BEZERRA, presidente da FETRANORTE e dos Conselhos Regionais Norte do SES/SENAT, com o qual trabalhei durante 28 anos ininterruptos, em várias funções.

Também alguns presentes devem saber que cheguei a me desesperar quando soube que as bactérias borrélia e serrátia eram incuráveis. Mas Deus nunca me abandonou e me manteve vivo para testemunhar esse acontecimento que teve na professora doutora Iraíldes minha grande aliada, divulgando meu trabalho e falando sobre a obra para outras pessoas do Serviço Social em eventos técnicos que participava, chegando, posteriormente, ao conhecimento da professora doutora Cléria Bueno, para quem enviei um exemplar e decidiu usá-lo como base para sua tese de doutorado defendida na Espanha, sob título de “AVES RARAS NA PROFISSÃO: O PSICÓLOGO E O ASSISTENTE SOCIAL NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL”, a quem agradeço pela dedicatória a mim feita em seu trabalho.

Tenho muito que agradecer aos professores do Curso de Serviço Social, que não os nominarei porque temo em esquecer algum, mas saibam os senhores mestres que de cada um retirei alguma coisa positiva para minha vida e com cada um aprendi algo que não sabia e que todos foram importantes em minha vida. Mas, faço uma referência especial à professora de nosso departamento que não está mais presente entre nós, a também advogada Rita de Cássia Montenegro, professora do Departamento do curso de Serviço Social e que ministrou a “Aula da Saudade” para os formandos da turma de 1995.

Minhas Senhoras,

Meus Senhores,

Estou construindo minha história. Depois de aposentado por invalidez perdi muitos amigos; outros apareceram e ficaram. Dos que se foram não sinto saudades ou lembranças positivas. Dos novos que chegaram, saibam que me deixam alegria, emoção e muito carinho.

Sou um passageiro nessa vida, mas não estou aqui de passagem, mas construindo minha história, com os cacos que restaram. Tenho uma missão por certo porque Deus não me teria deixado vivo após onze cirurgias até hoje se não reservasse uma missão especial. Já me disseram que minha missão é escrever. Eu acredito que seja e sou feliz por isso, sou feliz com o que faço, sou feliz pela esposa Yara que tenho, sou feliz por sentir a felicidade nas pessoas que estão em minha volta, enfim, sou feliz porque a felicidade não é ter dinheiro, comprar coisas, mas apenas ser simples e completo com você mesmo, fazendo aquilo que lhe dá prazer. E eu sou feliz!

Se esqueci alguém me perdoem: mas todos foram importantes em minha vida e meu caminho, até mesmo os que me abandonaram pelo, porque terei a oportunidade de acolhê-los mais na frente, porque Deus me permitirá fazê-lo!

Não posso esquecer, porém, de minha professora Heloisa Helena Corrêa da Silva que dedicou a mim seu livro “EXPRESSÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL NO MÉDIO JURUÁ – AMAZONAS”, com essas palavras “E EM NOME DE CARLOS COSTA ESTENDO MEUS AGRADECIMENTOS AOS DISCENTES QUE APOIARAM MEU AFASTAMENTO PARA A QUALIFICAÇÃO DOCENTE”, além de ter escrito a meu pedido e, ao jornalista e professor Garcia Neto, que contribuíram com essa obra reescrita e ampliada. Isso me emocionou muito, professora doutora e ao companheiro e amigo de 32 anos de jornada. Eu os quero muito bem, saibam disso!

Para encerrar ao meu discurso que pretendia breve, reafirmo que não tenho tempo para odiar ninguém, não tenho tempo para sentir mágoa de ninguém porque me falta tempo para amar a todos que me amam, ou seja, vocês, meus amigos aqui presentes nesse lançamento.

Um abraço a todos e muito obrigado!

Carlos Costa

carlos da costa
Enviado por carlos da costa em 09/11/2013
Código do texto: T4563745
Classificação de conteúdo: seguro