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Tributo ao Prof. Roque José de Oliveira Camêllo

                                                          * Prof. Arnaldo de Souza Ribeiro

                              “O homem não faz senão escrever, com as letras de seus atos e os períodos de sua vida, na direção riscada pelo dedo poderoso do Destino”.
                              Humberto de Campos: Nasceu em Miritiba, Maranhão, no dia 25 de outubro de 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 05 de dezembro de 1934. Foi jornalista, escritor e político.

             Digníssima Senhora Presidente da Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes -, Acadêmica e Professora Hebe Marques Rôla,
             Digníssimo Senhor Doutor Raimundo Alves de Jesus, Presidente da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR,
            Digníssimo Senhor Doutor Antônio Fernando de Alcântara, historiógrafo e membro da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR e da Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais.
             Digníssimo Acadêmico Dr. Francisco José dos Santos Braga e Digníssima esposa Rute Pardini,
             Digníssima Senhora Merania Aparecida de Oliveira, nas pessoas de quem cumprimento a todos os presentes.
             Prezados senhores, prezadas senhoras.
             Peço permissão a Humberto de Campos para que possa grafar no seu pensamento a palavra Destino, com letra maiúscula e, assim entendê-lo: “ [...] que as pessoas não fazem, senão escrever, com as letras de seus atos e os períodos de sua vida, na direção riscada pelo dedo poderoso de Deus“.
           Ouso assim entender depois de analisar fundamentos e princípios que alicerçaram grandes e importantes acontecimentos, em que notei, sem dificuldade alguma, a clarividência divina, a exemplo deste, que hoje somos partícipes e testemunhas.
           O que vivenciamos e materializamos nesta noite, embora não o soubéssemos, iniciara em 2011, quando o Professor Roque José de Oliveira Camêllo e o Dr. Francisco José dos Santos Braga se conheceram. Naquele ano participaram da entrega da Comenda da Liberdade e Cidadania, criada pelos Prefeitos de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. Cerimônia realizada na Fazenda do Pombal, local que testemunhou as primeiras lágrimas, os primeiros sorrisos e também os primeiros sonhos do herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
            A partir do encontro destes dois ícones da sabedoria, da bondade e da fraternidade, instalou-se o fenômeno da empatia, que o tempo encarregou de transformar em sólida amizade, admiração e respeito mútuo. Desse modo, sempre que lhes era possível, encontravam e compartilhavam a mais pura amizade, enquanto desenvolviam profícuos diálogos escudados em diversificadas temáticas do saber.
           A sabedoria e a bondade, valores inerentes ao Dr. Francisco José dos Santos Braga motivaram o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo a convidá-lo para integrar este vetusto sodalício. Lamentavelmente ele não pôde acolhê-lo, mas a Presidente Professora Hebe Marques Rôla e seus pares o fizeram e, por estes misteriosos desígnios de Deus, fizeram mais, pois criaram e deram-lhe a cadeira Patroneada pelo Prof. Roque José de Oliveira Camêllo, ato que se consubstancia em imortalidade para ambos. E júbilo para todos nós.
           Conforme asseverado pela filósofa, ensaísta e escritora francesa Simone de Beauvoir: “Não há um passo do nosso caminho, que não cruzamos com o caminho do outro” e, por essa razão, também eu tive a felicidade de ver cruzar o meu caminho com o caminho do Professor Roque José de Oliveira Camêllo. De igual modo, como ocorrera com o Dr. Francisco, desde o primeiro momento, o fenômeno da empatia e do respeito se transformaram em amizade que se consolidara. E, sempre que me era possível, fazia-me presente aos eventos por ele promovidos ou que participava e, sem exceção, eram eventos que elevavam a cultura e a história de Minas Gerais. Ao término deles, o Professor Roque e Merania acolhiam com atenção e com profícuos e fraternos diálogos os amigos e convidados.
           Desse modo, o livro que hoje tenho a honra de compartilhar com os senhores e senhoras materializa um pouco do muito que vi, ouvi e aprendi com o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo.
           Embora sem o saber, iniciei aqui, no dia 08 de abril de 2016. Naquele dia o Professor Roque José de Oliveira Camêllo promovera dois importantes eventos, quais sejam: o lançamento do livro, Mariana: Assim nasceram as Minas Gerais e a solenidade cívica e cultural, alusiva aos 305 anos de fundação da então Vila de Mariana, com a fixação de uma placa com vistas a materializar o feito.
           Com a elegância e a cordialidade que lhe eram próprias convidou a todos os representantes de entidades para participarem do descerramento da placa, inclusive eu, o que me deixou sensibilizado e agradecido.
            Naquele dia, durante o jantar oferecido por ele e sua esposa Merania, tive a oportunidade de pronunciar algumas palavras de reconhecimento e agradecimento, que constitui o primeiro capítulo.
             Nos dias 26 e 27 de novembro de 2016, viemos em comitiva a Ouro Preto e Mariana, respectivamente, para uma viagem cultural e enológica. Ocasião em que fomos recebidos em Ouro Preto pelo Bispo emérito de Oliveira Dom Francisco Barroso Filho, pelo Prof. Roque José de Oliveira Camêllo e Merania Aparecida de Oliveira. A fidalguia com a qual nos receberam em Ouro Preto e Mariana também me inspirou a redigir dois breves pronunciamentos de gratidão, que constituem os capítulos segundo e terceiro.
             No dia 24 de março de 2017, no encerramento da Missa de Sétimo Dia, realizada na Igreja Nossa Senhora do Carmo, pessoas amigas pediram-me que pronunciasse algumas palavras. Com dificuldade e emocionado, externei a ele in memoriam e à sua esposa e família a minha gratidão pela sua amizade e realcei a importância que ele teve para todos nós, para Mariana, Minas Gerais e Brasil. O que constitui o capítulo quarto.
            No mesmo dia, o seu amigo Mauro Marílio Maffra também pronunciou e externou seu respeito e admiração ao Prof. Roque José de Oliveira Camêllo, o que veio a constituir o capítulo quinto.
            No dia 18 de março de 2018, quando da solenidade de criação do Instituto Roque Camêllo, o Dr. Francisco José dos Santos Braga, com aquiescência da Mestre de Cerimônia, solicitou-me que lesse um poema, escrito pelo poeta divinopolitano João Carlos Ramos. Acrescentei alguns comentários alusivos à vida e aos trabalhos do Professor Roque. O que constitui o capítulo sexto.
            No dia 15 de outubro de 2018, durante as solenidades da Semana Guimarães Rosa e aniversário da Academia Itaunense de Letras – AILE, o Professor Roque José de Oliveira Camêllo foi agraciado, in memoriam, com o título de – Divulgador e Propagador da Educação e da Cultura, ocasião em que o Prof. Raimundo da Silva Rabello pronunciou um belo discurso, em que relatou um pouco da vida e de sua amizade com o Prof. Roque e sua esposa Merania. O que constitui o capítulo sétimo.
            Em seguida, vem o ensaio Aureo Throno Episcopal. Escrito em homenagem ao Prof. Roque Camêllo, pois foi ele quem me relatou a vida e a importância do primeiro Bispo de Mariana Dom Frei Manoel Ferreira Freire da Cruz, e recomendou-me que lesse o livro, que dá nome ao ensaio. E constitui o capítulo oitavo.
            Na sequência vem os ensaios: Bolsos cheios, barriga vazia: ouro e fome em Minas Gerais e O payz do Pitangui. O primeiro, foi utilizado para uma palestra proferida na Universidade de Pádua, na Itália, onde relato a riqueza nos primeiros dias da mineração e a fome causada pela escassez de alimentos em razão da migração desordenada para esta região aurífera e, no segundo, o apogeu da Vila de Pitangui, mãe de 42 cidades. Ao tempo de sua fundação, pela sua extensão territorial, era um verdadeiro país. E constituem os capítulos nono e décimo.
           No último capítulo, trouxe o ensaio escrito pelo homenageado, intitulado, Inconfidente Cláudio Manoel da Costa: primeiro advogado assassinado em Minas.
           Neste ensaio o Professor Roque Camêllo, além de enaltecer as virtudes do grande inconfidente, contesta com veemência a causa mortis a ele atribuída e o faz, com riqueza de detalhes e, sobretudo, fundamentado. O Professor Roque Camêllo, além de escrever contra esta farsa, conclamava aos profissionais do direito que também a contestasse. Desse modo, ao incluí-lo no capítulo décimo primeiro, além de propiciar a divulgação do rico texto, acolho o pedido do ilustre homenageado para que divulgássemos e contestássemos essa mentira histórica que macula o nome e a memória deste herói da Inconfidência.
           O livro traz também: a “orelha” escrita pelo Professor e historiador Geraldo Fernandes Fonte Boa, que analisa as muitas Minas existentes e a sua importância no cenário nacional e, consequentemente, a importância do Professor Roque Camêllo, na perpetuação e divulgação desses valores. Enquanto o prefácio escrito pelo Dr. Francisco José dos Santos Braga relata o momento em que conheceu o Professor Roque Camêllo, seus valores e seus trabalhos e ainda, comenta cada um dos capítulos do livro e os associa com a personalidade e os trabalhos do homenageado.
           Por essas coincidências ou mistérios que a vida e Deus nos proporcionam, o Dr. Francisco José dos Santos Braga concluiu seu trabalho exatamente no dia 21.04.19, ocasião em que se presta homenagem ao heroi cívico-nacional Joaquim José da Silva Xavier – Tirandentes. Registre-se que o mesmo lugar que presenciou o nascimento de Tiradentes também presenciou o nascer da amizade e do respeito entre o Prof. Roque Camêllo e o Dr. Francisco.
            Em paráfrase ao poeta, cientista e pensador alemão Johann Wolfgang Goethe, a influência e a herança cultural dos nossos ancestrais nos sãos inatas, ou seja, os descendentes nada mais são que o resultado da somatória dos ascendentes ao longo de suas várias gerações.
            Desse modo, digo aos senhores e senhoras: este livro nada mais é que a materialização dos ensinamentos e inspiração que eu e aqueles que colaboraram na sua elaboração pudemos aprender durante o convívio com o Professor Roque José de Oliveira Camêllo, ou seja, é o tributo dos aprendizes ao seu Mestre e, para o bem da verdade, o Professor Roque Camêllo foi mestre de muitos aprendizes, pois sua vocação era ensinar e servir, valores que praticava com modéstia, discrição, eficiência, sabedoria e caridade. Características de quem leu, entendeu e, sobretudo, aplicou os Evangelhos.
           Portanto, desejo que o livro contribua para que mais pessoas possam conhecer o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo e, assim, colaborarem para manter vivo os seus ideais de civismo, de amor às pessoas, às tradições e a busca incessante de dias melhores, valores pelos quais trabalhou e defendeu, durante toda a sua edificante vida.
          Muito obrigado a todos.
          E rogo ao bondoso Deus, que ilumine a todos nós.
 
          Mariana – MG, 1º de junho de 2019.

          Prof. Arnaldo de Souza Ribeiro

          * Arnaldo de Souza Ribeiro é doutor pela UNIMES e mestre pela UNIFRAN. Professor do curso de direito da Universidade de Itaúna – UIT do qual foi seu coordenador por nove anos. Presidente da Academia Itaunense de Letras – AILE, membro da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR, do Instituto de Direito de Língua Portuguesa – IDILP e da Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa – CJLP, Lisboa. Escreve para jornais, revistas e site, do Brasil e do exterior.


Arnaldo de Souza Ribeiro
Enviado por Arnaldo de Souza Ribeiro em 24/06/2019
Reeditado em 25/06/2019
Código do texto: T6680620
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Arnaldo de Souza Ribeiro
Itaúna - Minas Gerais - Brasil, 61 anos
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Arnaldo de Souza Ribeiro