MEU SONHO PROIBIDO - RR & Dedete

Eu:

Falo aos meus anelos que necessito esse verdor de teu olhar;

Para neles me afogar, para embrenhar meu despudor nessa paixão;

Que me fez escravo da tua mão, que ao pecado induz meu caminhar;

Paradigmas a se despedaçar - leis subjulgadas por irresistível transgressão!

Ela:

Faço um desenho ateu com a mira de meus olhos verdejantes;

Transgrido leis escritas em desejos, sem questionar essa paixão;

Na ilusão de única dona ser do teu coração, rendo-me a ti,

Insana de sanidade, concisa e permissiva, minha metade te darei, sem subjeção!

Eu:

Que seja, pois, puro deleite a magia dessa estrada;

Faz-me vítima dos poderes de fada que a lascívia te confere;

Vem impetuosa e me fere com a fome de carícias mais indomada;

E que me seja eternamente dada a fonte insaciada que te ferve!

Ela:

Me remonto em direções geográficas amando-te sem destino;

Seremos dois seres entregues à luxúria dessa viagem sem volta;

Busco o alimento vital em tua alma, fonte pura da vida;

Sinto a devassidão dos caminhos que se abrem em tua pele de menino!

Eu:

Não seja o meu futuro em nada oposto ao que presume o sonho;

Eu te proponho ultrapassar o que te obrigam as muralhas;

Sei que são várias as vias proibidas desse incolor mundo tristonho;

Porém aqui no meu te ponho, te escravizando em minhas leis despudoradas!

Ela:

Tu serás aquele que com juras abrasadoras ultrapassará os tempos;

Tendo o coração em segredo dormirás o sono que já me deito;

Na difícil passagem do óleo sobre a água, do cerne sobre a razão;

Aquilatarás velhos laços, cautelosos em doces caminhos do coração!

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Impossível abdicar do sol matinal, impossível desencantar-me da tarde litorânea, impossível ignorar a disipação da relva sobre os montes - impossível me cansar de contigo duetar. Grato, minha deusa dos olhos de mar!

Reinaldo Ribeiro
Enviado por Reinaldo Ribeiro em 26/09/2009
Reeditado em 26/09/2009
Código do texto: T1832579
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