DUAS LÁGRIMAS
                   Fernando Alberto Couto
 

     Sob o intenso brilho do luar,
     guardando-se nos óculos escuros,
     procura a minha musa apaziguar
     os sentimentos seus, inda inseguros.
 
     Mas seus lábios calados denunciam
     suas dores, angústias e desejos,
     enquanto os meus instintos desfiam
     impulsos insensatos por seus beijos.
 
     Sonetista do amor, sutil poeta,
     se tua amada no olhar quieta
     essas quimeras do mais alto astral,
 
     tens, por certo, mais sorte do que eu.
     Em meu rosto o soneto concebeu
     duas lágrimas frias, de cristal!
                     
São Paulo-SP  06/08/10

     
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                     DUAS LÁGRIMAS
                             Odir, de passagem
 
 

   Eu chorei o momento em que partiste
   no instante do adeus, que não falaste,
   e voltei à vivência de ser triste,
   sabendo que mais triste tu ficaste.
 
   A cristalina lágrima não viste.
   Chorei cristal em gota, o quanto baste
   para ser pranto, um pranto que hoje insiste
   em se juntar ao pranto que choraste.
 
   A saudade chorou por tua voz.
   Chorou tão demorado que, afinal,
   não mais nos permitiu estarmos sós.
 
   Tudo agora está bem. Tudo normal.
   Do que passou, guardamos para nós
   duas lágrimas frias, de cristal.
 
             João Pessoa-PB  06/08/10    

                         
Fernando Alberto Couto e Oklima
Enviado por Fernando Alberto Couto em 06/08/2010
Reeditado em 11/02/2015
Código do texto: T2421890
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