ATÉ ONDE TUDO ISSO NOS LEVARÁ?

Penso eu nas minhas atitudes radicais

Pois sigo e penso em mim como você

Se te por pensar te faço mal algum

O meu erro é empecilho para eu viver.

Por um momento se perde

A consciência presente no viver

Apela-se para radicalismos

Não o culpo, culpo apenas o amor

O amor não é culpado

Ele é delator

Quem na alma já tem pecado

Só lhe falta ser chamado de traidor

É um crime amar?

Não, não julgue criminosos os amantes

Se o amor tem alguma culpa

É apenas por cegar olhos saudáveis

Abrir feridas em corações desprevenidos...

Desprevenidos estamos todos os suscetíveis

Às mudanças que nem sentimos, mas sofremos

Quanto mais amamos, menos nos defendemos

Aos olhos do amor todos somos sensíveis

Sensíveis de alma, sensíveis de coração,

No entanto somos fortes

Capazes de resistir às intempéries do amor...

O amor não causa intempéries

Talvez ele próprio a seja

Nos afogamos no simples pensamento

De querer pensar como quem nos beija!

Tornando-se um

Onde deveria haver dois

Mesmo que isso nos custe

Uma parte de nós...

Parte de nós o peito à cabeça engana

Não pensamos em pensar ter razão

Usamos analises oculares como prova

E as justificativas como o coração.

É preciso justificar o amor?

Não podemos apenas vivê-lo

Como se não houvesse amanhã

Como se ele nunca fosse acabar?

Tudo no universo é finito

Do nosso corpo à eternidade

Se até o eterno é finito

Dizer não haver amanhã é vaidade...

Vaidade que ilude corações

E permite que se sonhe por um instante

Aceite esta vaidade!

Abandone seus radicalismos tolos...

Tolos são os que não ousam ter atitudes

Ficam na mesma por não incitar que a situação mude!

E choram nos cantos para serem ouvidos

E os seus desejos silenciosos não são atendidos...

Confesso...

Às vezes, o amor nos acovarda

Mas quem nunca teve medo?

Medo de perder aquilo que se ama?

É possível sobreviver sem o ser amado

Porém, nos mascara da verdade o santo amor

Que nos põe fogo e estimula

A cantar a mentira para justificar a dor...

Sobreviverá o amor

As mentiras, as feridas?

Ah! Como gostaria de crer que sim...

Com Cecília Arcanjo.