Dificuldades Conceituais: O Nacional e o Popular

Como o próprio título afirma, simples adjetivos como “Nacional” e “Popular” podem indicar sentidos e maneiras diferentes de representar a sociedade sob o signo de unidade social, que conseguem ultrapassar o sentido de a primeira ser uma existência antropológica e geográfica e a segunda como face interior da sociedade ou como unidade política e jurídica constituída pelo conjunto de cidadãos.

Em cima disso, percebe-se que existem várias formas de se interpretar o que é Nação e qual a sua ligação com a palavra povo ( por exemplo: a pátria deve ser um ser próprio que penetre em todas as pessoas singulares) e para isso, existem diferentes crenças, como a vista por românticos e iluministas.

Porém, das muitas visões atribuídas a essas duas palavras, o que é válido ressaltar é que não se podem misturar essas duas palavras como um ser só, mas como constituídas de diferenças, uma vez que se vive em uma sociedade desigual, no qual quem tem mais poder é que pode optar e ganhar seu papel privilegiado nas divisões sociais e o povo, ou melhor, a plebe é a mais desprivilegiada, pois quando o popular deixa de indicar o aspecto jurídico de cidadania e soberania, para indicar classes sociais, torna-se impossível reconciliar com a idéia de nação (a nação ditada pela grande hierarquia nacional). Por mais que no início dos anos 60, apareça em jornais “a vontade do povo”, “os magnos interesses da nação”, esses exemplos não passam de uma idealização romântica de se dizer que a nação e o popular andam sempre unidos, quando se sabe que essa união só acontece a partir dos diferentes papéis econômicos e sociais que encontramos em uma nação e esse conceito torna-se distinto de nação para nação.

Então, a partir dessa realidade, percebe-se que o popular pode ser dividido a partir de três faces: a cultura alienada (a classe dominante); a cultura do povo (tosca, desajeitada, atrasada, trivial, ingênua, lúdica, ornamental, sem dignidade artística nem intelectual, conformista) e a cultura popular-revolucionária (reproduzida pela vanguarda que vê o povo como herói, combatente do exercito revolucionário de libertação nacional e popular). A esse último inferimos aos artistas que fizeram parte do modernismo e que buscavam uma identidade para o Brasil como nação a partir da idéia do povo e de suas distintas culturas.

Ao saber do que engloba o popular, observa-se também que a palavra nação ganha outra vertente, pois não há uma só nação, mas várias “nações” que se diversificam a partir dos discursos, como o positivista, o romântico, o iluminista, o integralista, o populista, o teocrático. Cada uma dessas “nações” determina um modo diferente de conceber a sociedade e a política, cada qual combate e exclui as demais e cada qual pretende oferecer-se como discurso da “verdadeira nação” que assim se caracteriza o Brasil. Em outras palavras, nação é uma prática política e social, um conjunto de ações e de relações postas pelas falas e pelas práticas sociais, políticas e culturais para as quais ela serve de referência empírica (território), imaginária (comunidade cultural e a unidade política por meio do Estado) e a simbólica (campo de significações culturais constituídas pelas lutas e criações sócio-históricas).

Por fim, percebe-se que, para unir nação a povo, precisa-se introduzir a cultura, pois ela é o elo que, a partir de estudos elaborados no início do século XX, mais aproxima o Brasil em conseguir uma identidade cultural, uma vez que esse país é formado a partir das diferentes ações do povo, da cultura do povo que é mista e criativa. Aí é que, portanto, encontra-se a grande importância da Cultura Popular.

24/05/06