DENTRE FARTOS "COXINHAS, CAVIARES E AFINS"...BRIOCHES AO POVO!

Há exatos dois dias das nossas eleições democráticas aos nobres cargos dos poderes legislativos do Congresso Nacional e executivos MAIORES, tentarei aqui não apenas ensaiar minha opinião sobre o pleito tão importante que de nós se aproxima mas principalmente expor o meu sentimento de cidadã brasileira FRENTE AO TODO DISCUTIDO EM TERRENO DOS DEBATES DEMOCRÁTICOS.

Digo que prestei muita atenção na dinâmica política que entusiasma nosso povo.

Devo esclarecer que meu sentimento e opiniões são absolutamente pessoais e sinceros, todavia, movidos por experiência de muitos anos de observação e atuação em campo de trabalho social, e que não escrevo movida por legenda alguma porque, pela vida, tenho sido uma cidadã de alma eclética e alegendária, todavia humanitária por dom essencial de espírito, pessoa de nehuma militância política ou idolatria exercida, de poucos ou quiça nenhum ídolo ou herói cultuado.

Minha legenda é meu trabalho, MEU IDEAL e minha cidadania.

Ainda acredito na sincera força política do homem vivo, e não nutro fanatismos por mitos mortos, muito menos pelos mortos- vivos ressuscitados.

Sempre digo que aprendi muito cedo com a literatura, mais precisamente com a poesia de Fernando Pessoa, que "mito é o nada que é tudo".

De fato, fui constatar em campo vital e lhes digo que tenho visto "muitos tudo" em torno "dos nada" mitológicos e midiáticos cada vez mais crescentes.

E constato que a fábula da "roupa nova do rei" é a mesma aos tantos novos reis tão vulneráveis que nos surgem, vulneráveis e frágeis como é a vida de todos nós, é a "historinha" que tem ilustrado o meu discernimento político ao longo de todos os setores da vida cidadã e pessoal.

Assim, ouvindo, trabalhando, vivendo e lendo, faz pouco tempo que aprendi a denominação de dois vocativos políticos populares entre nós: o da "esquerda caviar" e o da "direita coxinha".

Fui estudar os termos, eu os acho engraçados e interessantes do ponto de vista das ciências políticas e humanas, e dali aprendi muito, principalmente o de que ambos os pratos, pela História, sempre participam da mesma mesa farta de debates pendulares e ciclotímicos, a enriquecer sua própria mesa de fomes zero compartimentalizada e sequenciada, e aprendi que os dois derivaram muitas outras receitas de pratos gourmets discidentes e menos populares, de paladares insatisfeitos, todavia oriundos de nuanças muito sutis das mesmas essências condimentares, as que tentam apenas superficialmente alimentar toda a holística e surreal fome humanitária, daqui e do mundo, e muito pouco, quase nada conseguem.

Talvez seja o próprio destino da humanidade escrito nas ESTRELAS...

Por aqui, dentre nós, não discuto o pontual resultado social obtido, discuto o mérito do real resultado humanístico agregado e sustentado, de fato, algo indiscutível aos olhos: se saciamos de forma justa e de direito algumas fomes urgentes...é certo que reiventamos outras fomes de caráter crônico, de modo que muitas das nossas novas fomes nos parecem insaciáveis pela eternidade de tantas dores.

Diante de qualquer mesa farta de só aparente fome zero, dentre coxinhas, caviares e afins, eu poderia falar em assuntos cansativos já discursados e debatidos por muitos e sentidos na pele por outros incontáveis cidadãos brasileiros sem voz, sobre as tantas fomes que ainda nos consomem: a da educação zero, da saúde zero , da distribuição justa de renda zero, da distribuição de terra zero, do aumento no IDH zero, da sustentabilidade zero, da justiça social zero, da segurança zero, da habitação zero, da previdência zero, da providência zero, da recomposição salarial zero, da prespectiva de futuro aos jovens zero, do acolhimento infantil zero... enfim eu seria uma chata a repetir todas as fomes sentidas e nunca zeradas.

Não convém falar de fomes em período eleitoral, sei bem disso.

Mas um fato é correntemente notório: Bastaria desrespeito zero e todas as demais fomes estariam resolvidas.

Mas serei justa: é certo que, enquanto sociedade civil democrática, também somos fartos para prontamente saciar algumas fomes ávidas por parte daqueles que têm as receitas das tantas soluções pouco vividas, as que de tão transparente nos parecem invisíveis: somos fartos em corrupção via incontáveis e históricos "corruptoductos", fartos na fome tão voraz dos clientelismos, dos fisiologismos, dos egocentrismos, das vaidades e dos ilusionismos, mecanismos que alimentam as fartas mesas dos consumidores de caviares e coxinhas, advindos do tudo que os nutre com robustez financeira...mas que poderia saciar todas as demais fomes perenes do povo que os alimenta do seu trabalho.

Vez ou outra, percebo que surge em meio à mesmice do banquete da polarização gatronômica "coxinha versus caviar" algumas novas discidências de "direitas alfaces " ou "esquerdas chuchus", alguns novos e desgastados vermelhos rabanetes, outros desbotados verde-esperança, enfim, alguns erram na receita desatrosamente, outros têm ingredientes críveis no sabor, e embora gritem invenções de apetitosos pratos aqui ou acolá, são inaudíveis pelo Chef e garçons gastronômicos da mesa master e sequer atingem o íntimo da massa inconsciente por mudanças que urgem em todas as mesas.

E o povo sempre a esperar por algum ingrediente que dê sabor mais real às receitas PROMETIDAS de vida mais palatável a todos.

Quem sabe surgirá uma receita nova que convença todas as fomes?

Quiçá o resgate duma massa básica feita de outros "ismos" como Patriotismo, Idealismo e Nacionalismo, nos mudem a tão triste palatabilidade atual do nosso destino ?

Não sei.

Enquanto isso digo que, se dentre tantos coxinhas, caviares e afins inéptos nos atos não se conseguir saciar as massas famintas de tudo, aconselho ou doutos nas palavras ao vento se reportarem à História remota que sempre se repete.

O povo tem fome?

-Ara, brioches ao povo!

E ninguém poderá dizer que soluções REAIS não foram tentadas...